COMO FAZER O REESCALONAMENTO DE DÍVIDAS NO BANCO

Reescalonamento de dívidas

Reescalonamento de dívidas? Mas o que é isto?

Talvez você possa não saber, mas tenho quase certeza de que serve para você 😉

Você está sentindo os efeitos da crise?

Está sem saber o que fazer para pagar as prestações do seu caminhão?

Saiba que esta é, infelizmente, a realidade da maioria das empresas de transporte e caminhoneiros autônomos no Brasil nos dias atuais.

Eu fiz uma pesquisa recentemente com meus leitores e 84,1% alegaram estar com dificuldades financeiras.

É um número absurdo e assustador, e por isso eu não podia deixar de dar minha contribuição, falando de uma das contas mais pesadas para todo transportador que tem financiamento, a prestação do caminhão.

Apesar de nem sempre fácil, o reescalonamento da dívida, ou seja, conseguir uma renegociação do financiamento, é uma possibilidade que deve ser considerada.

Numa situação de crise, em que a maioria dos transportadores estão em dificuldades, não é um bom negócio para os bancos simplesmente pegar os caminhões de volta.

Quando a exceção vira regra os bancos têm um problema, e é natural que eles pensem em alternativas para resolver a situação.

Uma das alternativas dos bancos é te oferecer crédito de capital de giro, como um aumento no limite do cheque especial ou um novo empréstimo, o que vai simplesmente aumentar o seu pesadelo.

A busca pela renegociação é dura, mas é o remédio amargo mais indicado para você seguir em frente mantendo a saúde do seu negócio.

No reescalonamento da dívida é possível seguir dois caminhos:

  • Redução do valor da prestação mensal, com o aumento do número de parcelas (financiamentos CDC e Leasing);
  • Carência de 12 meses para ganhar fôlego (financiamentos BNDES).

Continue lendo este artigo para saber mais sobre:

  • Tipo de financiamentos existentes;
  • 5 passos para fechar um bom negócio;
  • Outras 4 formas de resolver a dívida do financiamento;
  • Cálculo dos juros das prestações que você está pagando;
  • O que fazer se você estiver com o nome sujo;
  • Entrar com ação revisional vale a pena?

TIPOS DE FINANCIAMENTOS EXISTENTES

Tipos-de-Financiamento

Para que eu possa te falar de como fazer o reescalonamento de dívidas é importante deixarmos claro quais são os tipos de financiamento de caminhões existentes no Brasil, além dos bancos disponíveis.

E os tipos de financiamentos são diferentes para empresas (pessoa jurídica) e caminhoneiros autônomos (pessoa física).

A grande maioria dos bancos tem parceria com o BNDES, banco público que tem as melhores taxas do mercado.

Então, para ver quais são os bancos credenciados pelo BNDES clique aqui.

O BNDES oferece as seguintes linhas de crédito para quem deseja comprar um caminhão:

E também oferece linhas de capital de giro:

Entretanto, sem o apoio do Governo Federal, o que resta para os transportadores são os financiamentos comuns, nos quais as taxas de juros são mais altas.

Na sondagem de 2015, que a CNT (Confederação Nacional do Transporte) faz todos os anos, é possível perceber que o apoio do BNDES foi bastante importante, quase 40% dos entrevistados utilizaram este meio.

Segundo a pesquisa feita com 713 empresas, as modalidades usadas para pagamento foram:

  • 28,7% Leasing (incluindo FINAME Leasing);
  • 26,7% Financiamento com banco privado;
  • 20,8% À vista;
  • 12,8% BNDES PSI;
  • 05,0% Consórcio;
  • 01,0% Direto com o fornecedor;
  • 05,0% Não sabem.

Já no caso dos caminhoneiros autônomos não existem dados apurados, mas é possível prever que a maioria não utilizou o BNDES por falta de conhecimento ou excesso de burocracia na contratação.

SE VOCÊ FINANCIOU COM RECURSOS DO BNDES, ENTÃO PRECISA LER ISSO!

Através da greve dos caminhoneiros, em 2015, que reivindicava entre outras coisas o refinanciamento junto ao BNDES, o governo autorizou com uma circular no BNDES, os bancos comerciais a refinanciarem os caminhões vendidos por meio do ProcaminhoneiroBNDES PSI.

Logo, os caminhoneiros autônomos e as microempresas de transporte rodoviário de carga com faturamento de até R$ 2,4 milhões por ano, que compraram caminhões até 31 de dezembro 2014 por esses programas, e que queriam um fôlego de 12 meses sem pagar parcelas, deviam procurar os bancos nos quais fizeram o financiamento.

O problema é que os bancos, principalmente privados, não atenderam às propostas de refinanciamento solicitadas pelos motoristas autônomos e pequenos empresários, principalmente porque a adesão não era obrigatória.

O prazo desta circular encerrou em 31/12/2015, mas uma Medida Provisória (MP) 707/2015 prorrogou o prazo para até 30/06/2016.

Por isso, se você tem algum veículo financiado até 31/12/2014 com recursos do BNDES, deve procurar com urgência o banco onde você fez o financiamento.

Se o banco se negar, ou começar a “te enrolar” até que o novo prazo (30/06/2016) se esgote, procure o mais breve possível a ajuda de um advogado para entrar com uma ação.

Na minha visão é uma chance importantíssima que você tem de conseguir 12 meses de fôlego nas prestações, o que seria uma mão na roda para você conseguir pôr a casa em ordem.

5 PASSOS PARA FECHAR UM BOM NEGÓCIO

5 passos para fechar um bom negócio

Se no seu caso a compra do seu caminhão não aconteceu pelo BNDES, então provavelmente você fez um financiamento comum, como aqueles que fazemos na compra de um carro de passeio.

Neste caso não existe ajuda do Governo Federal, a relação é entre você e o banco, e você provavelmente já paga uma taxa de juros mais alta.

Se você está com as parcelas em dia, mas já começa a perceber dificuldade em quitá-las, talvez seja um bom momento para procurar o seu banco e tentar fazer um reescalonamento das parcelas.

Como você é um bom pagador, o banco te verá com bons olhos e as chances de conseguir um acordo são maiores.

Agora, se você já está com uma ou mais parcelas vencidas, talvez seja mais difícil conseguir negociar, mas não é impossível.

É importante que você tenha em mente que o efeito “bola de neve” não pode bater à sua porta, quanto mais parcelas vencidas mais fundo será o buraco, e você precisa parar de cavar.

Tenha em mente que a última coisa que o banco quer é o seu caminhão, e a primeira coisa é o seu dinheiro, mesmo que seja menos do que o combinado.

Pense, uma renegociação não é ruim para o banco, desde que o novo acordo possa ser honrado por você. O problema é que muitas vezes este entendimento não chega ao gerente que te atende, ou à central de relacionamento para onde você liga.

Por isto você precisa ser firme, perseverar, para atingir o seu objetivo. Se você não tem tempo então peça para algum familiar tentar por você, pode ser a sua esposa ou um dos seus filhos (se tiver).

Pare de cavar o buraco chorando, e vá atrás da solução dos seus problemas.

Três aspectos devem ser levados em consideração na hora de fazer o reescalonamento das suas prestações:

  1. O prazo para quitação deve ser maior que o original;
  2. Os valores das parcelas devem ser menores;
  3. O custo da nova dívida deve ser menor.

Eu poderia colocar um 4º aspecto, mas ele vai depender da negociação que você fizer. É a taxa de juros, algo fundamental na hora de negociar dívidas, você precisa estar atento à isto, mesmo que tenha aumentado a inflação é preciso perseguir a melhor taxa.

Agora vamos aos 5 passos para fechar um bom acordo.

1. Calma

Mantenha a calma e seja perseverante, não será com uma ligação ou uma visita que você vai resolver o seu problema.

Você precisará dispor de tempo e persistência para chegar lá, procure criar uma rotina de ligar ou visitar o seu gerente pelo menos 2 vezes por semana, até que tudo esteja resolvido.

2. Organização

Faça os cálculos, no detalhe, das suas receitas e despesas, e veja quanto você realmente poderá pagar de prestação, para que não haja novos atrasos após o acordo firmado.

Você pode montar uma planilha no computador, ou fazer na calculadora mesmo, mas é fundamental que você tenha certeza do número.

3. Prudência

Faça um acordo que consiga cumprir e pagar. Caso contrário, o refinanciamento vai virar uma bola de neve e você continuará com o mesmo problema.

Fuja de propagandas que citam:

  • Empréstimo na hora;
  • Empréstimo sem consulta;
  • Empréstimo pessoal para autônomos;
  • Empréstimo empresarial.

Esses serviços são oferecidos pelos bancos e financeiras e, acredite, não vão resolver o seu problema e irão te colocar numa situação ainda pior.

4. Informação

Consulte o PROCON ou a defensoria pública do seu Estado. Eles vão ajudar com informações e acompanhar as renegociações.

5. Justiça

Se a pessoa que te atender no banco não resolver o problema após algumas consultas, então procure o chefe dela, e o chefe do chefe, até conseguir.

Em último caso, se você não conseguir resolver por meios administrativos, então procure um advogado e conte com a ajuda da justiça para chegar num acordo.

Procurar resolver o seu problema não é injusto, injusto é deixar que o problema se agrave sem se preocupar com as consequências.

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OUTRAS 4 FORMAS DE RESOLVER A DÍVIDA DO FINANCIAMENTO

Vamos lá, você tentou de tudo para fazer o reescalonamento das suas prestações, mas não conseguiu chegar a lugar nenhum.

Isto é algo que pode acontecer, e você precisa saber que sempre há um jeito de resolver a situação.

Uma coisa que percebo muitas vezes nas pessoas é o desespero por resolver os problemas rapidamente, quando na verdade muitas doenças se curam com o tempo, e não da noite para o dia.

Veja estas 4 outras formas possíveis para você resolver o problema da sua dívida com o financiamento.

1. Trocar por um caminhão mais barato

O banco permite trocar o veículo atualmente financiado por outro, mantendo o mesmo financiamento.

Para isso eles fazem a transferência de gravame, que é o registro no Detran da alienação do veículo junto à financeira.

2. Portabilidade financeira

É possível negociar dívidas com o financiamento do caminhão fazendo uma mudança para outro banco.

Apesar de pouco conhecido, este procedimento é autorizado pelo Banco Central é mais uma chance que você tem de conseguir o que precisa.

É fundamental, claro, que você tenha um bom relacionamento com o outro banco e o nome limpo para isto.

3. Vender o caminhão com a dívida

Neste caso você pode vender o caminhão, e com o dinheiro arrecadado quitar a dívida que você tem no banco das prestações do financiamento.

4. Transferir o financiamento para outra pessoa

Diferente da opção anterior, neste caso o comprador precisará ser avaliado pelo banco, e caso esteja tudo certo, a transferência poderá ser feita. Esta operação também é conhecida como repasse de financiamento.

Nas opções 3 e 4 é muito importante você entender quanto receberá pela venda, se o seu financiamento é novo provavelmente não valerá a pena, porque normalmente as primeiras prestações de um financiamento servem apenas para pagar os juros da operação, não amortizando praticamente nada do valor principal.

CÁLCULO DOS JUROS

Calcular os juros

Eu tenho que te confessar, uma das coisas que mais me deixa chateado quando converso com pessoas sobre financiamento é quando elas dizem:

Ah, fui lá para comprar um caminhão, e acho que consigo pagar a prestação.

Aí eu pergunto, mas quanto de juros você vai pagar?

Não sei, não perguntei, só queria saber se a parcela cabia no meu bolso mesmo.

Isto é algo que você não pode aceitar de forma alguma, a taxa de juros cobrada pelo banco é fundamental em qualquer análise que você faça.

Uma maneira fácil que você tem de fazer este cálculo é usando a Calculadora do Cidadão, feita pelo Banco Central.

Acesse aqui e escolha a opção “Financiamento com Prestações Fixas”.

Veja como ela funciona.

Calculadora do cidadão

Note que são apenas 4 campos, e o bacana é que você pode deixar qualquer um dos campos vazio, preenchendo apenas os outros 3.

Exemplo 1: se você quer saber qual é a taxa de juros do seu financiamento, preencha o número total de meses que você contratou, o valor total financiado, e o valor da prestação mensal.

Exemplo 2: se você quer saber qual seria o valor da prestação mensal caso tivesse uma taxa melhor, então coloque a sua taxa desejada e deixe apenas o campo da prestação vazio, e o sistema irá fazer o cálculo.

E SE TIVER COM O NOME SUJO?

Senhor preocupado

Se você está com o nome listado nos órgãos de restrição de crédito talvez possa se perguntar como faria um refinanciamento do seu caminhão.

A questão é simples, se o seu nome está sujo apenas por causa das parcelas atrasadas do caminhão, então é a própria renegociação que vai limpá-lo.

Toda vez que você faz um acordo com um credor ele é obrigado a tirar o seu nome dos órgãos de crédito, porque você se comprometeu a pagá-lo numa nova negociação.

Agora, se você tem restrições de crédito por outras dívidas que não o financiamento do seu veículo, então você precisará negociar cada uma antes de falar com o banco.

Porém, você pode tentar falar direto com o banco, mas suas chances são bem menores, porque a instituição financeira vai entender que você já tem outros problemas, e não haveria motivo para acreditar que você irá cumprir uma nova negociação.

Uma boa forma de consultar se você tem problemas no seu CPF é fazer uma consulta gratuita neste site, após preencher algumas informações você conseguirá saber quais são os seus débitos.

Outra forma, porém paga, é por este site aqui.

AÇÃO REVISIONAL

Ação revisional

E uma ação revisional, será que vale a pena?

Eu acredito que cada caso é um caso, você precisa entender a sua situação olhando para as seguintes questões:

  • Taxa de juros utilizada no contrato;
  • Taxas e tarifas normalmente cobradas pelos bancos (TAC, TEC, serviços de terceiros, cobrança de laudo de avaliação, inserção de gravame, serviços de correspondente, etc).

Faça uma comparação da taxa de juros que o banco te cobrou na época com a Taxa Selic, e aí compare com outros bancos, outros financiamentos, em relação à Taxa Selic, veja o histórico da evolução da Selic aqui.

Se você conseguir entender que houve abuso da instituição financeira então é um direito seu cobrar judicialmente um desconto no seu contrato.

Independentemente de você estar com as parcelas em dia ou não, o direito permanece. Então mesmo com mais de uma parcela em atraso você poderá usar o recurso da ação revisional.

30 dias em média, após a ação ser protocolada por um advogado, e o juiz autorizar, você começará a fazer depósitos em juízo (conta bancária determinada pela justiça), o que normalmente é um valor menor do que o valor da prestação do seu financiamento.

Na prática, o que acontece em situações assim é o chegar em um acordo com o banco, porque para eles não é interessante ficar sem receber por um contrato (lembre-se que você irá depositar para a justiça e não para eles).

Por fim, avalie esta possibilidade com cautela, porque você precisará dar ao advogado um valor de entrada, para pagamento das custas iniciais da ação. O ideal é negociar um valor mínimo de entrada e o restante como um percentual do valor ganho da causa.

Não esqueça também de pegar referências deste advogado, porque o mercado de ações revisionais é bastante prostituído, e muitos profissionais prometem mas infelizmente não cumprem.

CONCLUSÃO – REESCALONAMENTO

Reescalonamento de dívidas

Vivemos numa crise, e não será no mês que vem que as coisas irão melhorar. Este processo vai levar um tempo, e você precisa resolver o quanto antes os problemas que poderão te afetar no futuro.

Por isto, você precisa olhar com carinho para um dos maiores valores que saem do seu caixa todo mês, a prestação do caminhão.

Saiba que sempre existem meios de sair do problema, de se encontrar soluções de médio e longo prazos, porque se você ficar sempre tentando “vender o almoço para poder jantar” não vai chegar a lugar nenhum.

Avalie com calma cada possibilidade que foi discutida aqui, crie um plano e dê o seu máximo para executá-lo com maestria.

Você sabe do que é capaz, e que pode superar esta, então mãos à obra!

O que estiver ao meu alcance para te ajudar certamente eu farei, para isto coloque abaixo nos comentários a sua situação.

Prometo analisar com calma e lhe dar a minha opinião, combinado?

  • Valeria

    Fiz a compra de um caminhão pelo banco bradesco. Uma compra casada pois para aprovação do financiamento fiz um titulo de capitalização no valor de R$10,000.00 sendo que, dei de entrada no caminhão R$110,000.00. Fiz um financiamento de R$50,000.00 mais R$10,000.00 do título de capitalização.
    Estou com 6 parcelas em atraso, entrei com em contato com a gerente para uma possível renegociação da dívida, o qual não foi liberado pela divída já estar em andamento. Hj recebi uma ligação da gerente geral do banco, com o pedido de devolução do caminhão. Não tenho outra fonte de renda. Como devo proceder?

    • oi Valeria,
      Sobre o título de capitalização acredito que você não deva se preocupar, pois é um produto separado do financiamento, o qual o gerente do banco provavelmente te “empurrou” para que ele pudesse fechar sua meta.
      Quanto ao caminhão em si, se considerarmos que você deu de entrada praticamente 2/3 do valor, eu acho que há sim possibilidade de negociar com o banco.
      Procure negociar com a agência ou através do 0800, insista nisso, em último caso envie uma notificação extra-judicial (que você mesma pode fazer pesquisando modelos na internet) para o banco, e caso não dê em nada contrate um advogado.
      Abraço.
      Ed

  • Carlos Clay Alcazar

    Bom dia, venho hj aki para perguntar uma coisa, estou com atraso nas prestações do meu caminhão, e o banco bloqueio os doc do veículo, não consigo trb para honrar com meus compromissos, e tento fazer uma negociação com o banco de poder voltar a pagar as prestações daki para frente e as q estão atrasadas jogaria com juros para as últimas, foi a formas mais coerente q achei no momento,mais o banco alega que no meu contrato não tem negociação, eu venho lendo artigos como o seu e até agora não vi isso,q tem q ter no contrato se eu posso ou não fazer uma negociação.
    Obg pelo espaço

    • Olá Carlos,

      A negociação com o banco é dura, pensando pelo lado deles imagine quantas pessoas estão tentando fazer o mesmo em função da crise.

      Por outro lado é um direito seu, pois você quer pagar, não quer ficar inadimplente.

      Eu sugiro que você procure o Procon, e em último caso entre com uma ação nas pequenas causas, tentando conseguir um acordo, o ideal é com advogado, mas pode conseguir sem.

      Não desista no primeiro NÃO, eles virão aos montes, mas você precisa perseverar.

      Abs.
      Ed