(12/17) – PEDÁGIO: COBRAR PELO VALOR GASTO OU DE ACORDO COM O PESO TRANSPORTADO?

Pedágio

Quem trabalha com transporte rodoviário sabe da importância que os custos com pedágio têm no final do mês.

Dos 211.468 km de rodovias pavimentadas no país, apenas 7,31% estavam pedagiadas até 2013, o que parece pouco, mas torna o Brasil o país com a maior extensão de rodovias com concessão no mundo.

Além disso, muitas das rodovias sob concessão estão no eixo São Paulo / Paraná, por onde passam os caminhões da maioria das transportadoras no país.

Ou seja, o custo com pedágio sempre irá inspirar cuidados, de uma forma que não afete a rentabilidade do seu negócio.

Foi por este e outros motivos que resolvi incluir um artigo inteiro sobre o tema, dentro de nossa série sobre cálculo de frete.

É muito importante que você conheça todas as variáveis acerca deste custo, e perceba se está trabalhando com ele da forma correta.

Pedágio pode ser algo bom ou ruim, tudo depende de como você o enxerga.

Meu papel aqui nunca será de defender ou acusar as concessionárias pelas tarifas cobradas, mas é interessante parar e pensar como seria se não tivéssemos as estradas sob concessão.

Num mercado como o de transporte rodoviário, em que o ganho está realmente nos detalhes, eu prefiro pensar num custo previsível como o pedágio, do que correr o risco de atrasar entregas por:

  • Rodovias em péssimas condições
  • Manutenção ainda mais constante da frota.

E você? Será mesmo que vale a pena continuar apenas reclamando que tem que pagar o pedágio? Ou será que dá para aceitar que este fato não vai mudar, e que devemos é olhar em volta e avaliar onde moram as oportunidades?

Se você concorda comigo, então continue lendo este artigo para saber mais sobre:

  • Quem deve pagar o pedágio? Embarcador, transportadora ou autônomo?
  • Modelo 1 de cobrança do pedágio: Valor a cada fração de 100 kg
  • Modelo 2 de cobrança do pedágio: Reembolso dos pedágios já pagos
  • Quais as tarifas praticadas no mercado atualmente? Como estar sempre atualizado?
  • Relação de empresas concessionárias
  • Vale pedágio: o que é e como funciona?
  • Evasão de pedágio? Por que muitos caminhoneiros fazem isso e quais as consequências?
  • Existem rotas alternativas para baratear o custo?

E aí? Parece interessante? Então compartilhe com seus amigos para que possamos desmistificar alguns conceitos que se criaram sobre o pedágio.

QUEM DEVE PAGAR PELO PEDÁGIO?

Quem deve pagar pelo pedágio

Antes de mais nada, eu quero falar aqui da responsabilidade pelo pagamento do pedágio, o que diz a lei e também o mercado, já que muitas vezes o que está no papel não acontece necessariamente na prática.

Em 2001 foi instituído o vale pedágio, através da lei nº 10.209, fruto de constantes reivindicações de caminhoneiros autônomos que precisavam descontar, do valor do frete, os custos com pedágio.

Com a lei, foi definido que a responsabilidade pelo custo com pedágio é do embarcador, ou seja, aquele que contrata o transporte da carga e normalmente é o dono da mercadoria.

Se a responsabilidade pelo pedágio é do embarcador, então nem a transportadora nem o caminhoneiro autônomo deveriam tirar um tostão do bolso para tal custo.

Porém o mercado age diferente, a verdade é que é comum o embarcador considerar o valor de frete pedido pelo transportador, já com o pedágio embutido.

Exemplo: Se um autônomo cobra por um frete o valor de R$ 2.000,00, e sabe que vai gastar R$ 200,00 de pedágio, ele na verdade está cobrando R$ 1.800,00 pelo frete, porque a maioria dos embarcadores não irá pagar o valor que seria justo, ou seja, R$ 2.200,00.

Então o que fazer?

Nunca diga o valor do frete sem pedágio, já considere antes o valor que você irá gastar em cada parada nos postos de cobrança, e assim o embarcador não enxergará tal custo em separado.

Apesar de parecer uma omissão o que estou sugerindo aqui, na verdade é um direito instituído por lei, que protege quem transporta.

MODELO 1: COBRANÇA DE PEDÁGIO POR FRAÇÃO DE 100 KG

Cobrar pedágio por fração de 100 kg

Ok, agora que você já sabe de quem é a responsabilidade pela cobrança do pedágio, eu vou te mostrar duas formas pelas quais você pode fazer o cálculo.

Normalmente usado por quem puxa cargas fracionadas, o pedágio calculado por fração de 100 kg tem o objetivo de dividir o custo entre os embarcadores cujas mercadorias estão sendo transportadas dentro do mesmo caminhão.

Para fazer o cálculo, basta que você tenha em mãos quantos kg de carga cada embarcador está levando dentro do veículo.

Vamos a um exemplo prático:

Suponhamos que um caminhão trucado, com capacidade para 10.000 kg, esteja transportando para 4 embarcadores, nos seguintes pesos:

  • 1º Embarcador: 3.933 kg
  • 2º Embarcador: 2.105 kg
  • 3º Embarcador: 0.580 kg
  • 4º Embarcador: 3.208 kg

Totalizando 9.826 kg, o veículo está dentro do PBT permitido, que é de 23 toneladas (peso da carga + o veículo).

Planilha de Cálculo de Frete Rodoviário

O cálculo de fração de 100 kg funciona da seguinte forma:

  • 1º Embarcador: 3.933 kg / 100 = 39,33
  • 2º Embarcador: 2.105 kg / 100 = 21,05
  • 3º Embarcador: 0.580 kg / 100 =   5,80
  • 4º Embarcador: 3.208 kg / 100 = 32,08

Arredondando para cima as frações, temos:

  • 1º Embarcador: 39,33 = 40 frações
  • 2º Embarcador: 21,05 = 22 frações
  • 3º Embarcador:   5,80 = 06 frações
  • 4º Embarcador: 32,08 = 33 frações

Multiplicando cada fração por um preço de tabela temos:

  • 1º Embarcador: 40 frações x R$ 4,84 = R$ 193,60
  • 2º Embarcador: 22 frações x R$ 4,84 = R$ 106,48
  • 3º Embarcador: 06 frações x R$ 4,84 = R$   29,04
  • 4º Embarcador: 33 frações x R$ 4,84 = R$ 159,72

No total, você poderá cobrar R$ 488,84 como custo de pedágio, mesmo que este valor seja maior que o seu custo efetivo.

Caso o seu gasto seja maior que o calculado, então o preço de tabela (por fração), hoje cotado em R$ 4,84, pode estar defasado.

MODELO 2: RECEBIMENTO ADIANTADO OU REEMBOLSO DOS PEDÁGIOS JÁ PAGOS

Reembolso dos pedágios já pagos

O modelo clássico, também usado na maioria dos casos, é o cálculo do valor exato a ser gasto com pedágio durante uma viagem.

Existem meios bastante práticos hoje em dia para fazer este cálculo, bastando apenas você ter os endereços de saída e chegada.

Para facilitar o seu trabalho com estes cálculos, tente usar uma das ferramentas abaixo:

Mapeia: você tem quatro opções de preenchimento (origem, destino, R$ por litro, Km por litro), e com isso você poderá determinar parte dos custos da viagem (combustível + pedágio)

QualP: além das funções do Mapeia, é possível informar o número de eixos, mais de um destino, e se tem a viagem de volta.

Sem Parar: um pouco mais burocrático, permite que você escolha entre uma rota mais rápida e uma rota mais curta.

Pedágios Online: permite a consulta de uma praça específica de pedágio, e no plano pago fornece um serviço completo de planilhas com valores atualizados.

Não esqueça que, por lei, o embarcador precisa pagar adiantado pelos valores de pedágio (exceto quando forem cargas fracionadas).

TARIFAS PRATICADAS NO MERCADO

Tarifas de pedágio praticadas no mercado

Além dos serviços citados acima, você pode se atualizar sobre tarifas de pedágio através dos seguintes serviços, oferecidos gratuitamente:

ABCR: Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, no site você pode filtrar pelo nome da concessionária e também pelo nome da rodovia.

ARTESP: Agência de Transportes do Estado de São Paulo, no site você pode conferir as tarifas dos pedágios das rodovias concedidas do Estado de São Paulo – Vigente a partir de 1º de julho de 2016.

Agora, se você quer uma lista completa de todas as tarifas, em um único arquivo, então clique aqui e baixe um arquivo completo (referência de 2016).

Nesta planilha estão as tarifas de todas as praças.

Veja agora as 10 tarifas mais caras relacionadas na planilha:

Tarifas de pedágio mais caras

E aqui a lista das 10 tarifas mais baratas:

Tarifas de pedágio mais baratas

VALE PEDÁGIO

Relação de concessionárias de pedágio

O vale pedágio, como o próprio nome diz, é um “vale”, como se diz no popular, dado antecipadamente ao transportador, para pagamento do pedágio.

Quando foi instituído em 2001, tornou obrigatório o pagamento do vale pedágio por parte do embarcador.

Ou seja, desde 2001 está na lei que o embarcador (dono da mercadoria) deve pagar pelo pedágio gasto pelo transportador.

Nestes 15 anos muita coisa evoluiu, e de lá para cá o famoso pagamento em dinheiro deu lugar a formas mais modernas, com o uso de cartões magnéticos.

Quem regula o mercado de vale pedágios é a ANTT, e as empresas que atualmente estão habilitadas para atuar neste segmento são:

Empresa HabilitadaMaiores InformaçõesResolução ANTT nº
DBTRANS LTDA.Tel : 0800.880.2000107/2002
www.dbtrans.com.br/valepedagio
VISA DO BRASIL EMPREENDIMENTOS LTDABradesco : 107/2002
www.transportesbradesco.com.br
Bradesco/Pamcary :
Tel:  0800.726.2279 
www.gps-pamcary.com.br
Bradesco/Apisul
Tel : 051 2121-9000 
www.apisulcard.com.br
REPOM S.A.Tel : (11) 4166-7530251/2003
www.repom.com.br
CENTRO DE GESTÃO DE MEIOS Tel : 0800.015.02523577/2010
DE PAGAMENTO S.A. - CGMPwww.semparar.com.br
ROADCARD SOLUÇÕES INTEGRADAS EM MEIOS DE PAGAMENTO S.ATel : 0800 726 2279  4106/2013
www.roadcard.com.br
FASTCRED ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDATel:  0800 723 20354506/2014
fastcredcartoes.com.br
TARGET MEIO DE PAGAMENTOS S.A.Tel:  0800 704 28894507/204
targetmp.com.br
POLICARD SYSTEMS E SERVIÇOS S/ATel: 0800 940 29334594/2015
www.policard.com.br
UNIK S.A.Tel: 0800 723 20354695/2015
www.wexinc.com.br

EVASÃO DE PEDÁGIO

Evasão de Pedágio

Evasão de pedágio é infração grave, estabelecida no código de trânsito brasileiro, a multa é de R$ 127 e acarreta 5 pontos na carteira nacional de habilitação.

Para fugir destas infrações, alguns motoristas chegam a adulterar ou esconder as placas, o que é um crime, inclusive previsto no código penal.

O artigo 311 do código penal diz o seguinte:

Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento.

Pena: reclusão, de três a seis anos, e multa.

O que leva um motorista a evadir o pedágio?

Eu acredito que tudo depende da índole da pessoa, pois se ela chega neste nível é porque não tem escrúpulos e não deveria representar a classe de caminhoneiros.

Por outro lado, a crise econômica que assola o país faz com que muitas vezes o caminhoneiro veja nessa prática a única forma de viabilizar um frete.

Além da irregularidade cometida, existe ainda o risco à segurança dos outros motoristas, e também daqueles que trabalham na praça de pedágio.

Quase sempre, quando um motorista está evadindo o pedágio, passa pela cancela em alta velocidade, o que pode gerar uma colisão traseira ou até mesmo um atropelamento.

ROTAS ALTERNATIVAS

Rotas alternativas ao pedágio

A maneira mais prática, na minha visão, de você conhecer rotas alternativas, que não passam por praças de pedágio, é usando o aplicativo do Google Maps.

Veja como é fácil de usar:

Passo 1

Pesquise pelo seu destino e toque sobre o ícone do carro, no canto inferior direito da tela. Caso necessário, faça os ajustes no ponto inicial e final do trajeto.

Por padrão, o Google Maps usar a sua localização atual e o resultado da busca como, respectivamente, ponto de partida e destino.

Após definir esses detalhes, toque em “Opções”.

Google Maps - 1

Passo 2

Escolha o que deseja evitar – rodovias, pedágios ou balsas – e toque sobre a seta, no canto superior esquerdo da tela, para voltar aos trajetos disponíveis.

Feito isso, o Google Maps apresentará as opções para evitar os itens selecionados.

Por fim, logo abaixo do trajeto desejado, toque em “Iniciar navegação”.

Google Maps - 2

Pronto!

Dessa forma, você poderá evitar passar por pedágios, rodovias ou atravessar rios com balsa.

Entretanto, cabe a você saber se o acréscimo na distância e tempo de viagem valerão a pena.

CONCLUSÃO: PEDÁGIO

Conclusão sobre Pedágio

Talvez muito do que eu relacionei aqui neste artigo sobre pedágio já fosse do seu conhecimento, mas alguma coisa sempre fica para reflexão.

Mesmo que você ache este tema fácil, não subestime este custo, pois ele é representativo na sua tabela de custos de frete.

Avalie com cautela se realmente não existe nenhuma oportunidade de redução deste custo, seja pelo:

  • Repasse do valor ao embarcador;
  • Escolha de rotas alternativas em algumas viagens;
  • Otimização de rotas.

Série: Cálculo de fretes

Já leu os demais artigos da série? Veja abaixo a lista de artigos, e não perca a oportunidade de se aprofundar hoje mesmo no assunto.

  • [01/17] – Como fazer o cálculo de fretes sem perder dinheiro.
  • [02/17] – Por que você pode perder dinheiro se não calcular a cubagem?
  • [03/17] – 7 motivos para você considerar a depreciação no seu cálculo de fretes.
  • [04/17] – Por que o custo de oportunidade não pode ficar de fora da sua planilha?
  • [05/17] – Como calcular seu custo fixo por dia?
  • [06/17] – Quais as vantagens de saber o custo variável por km rodado?
  • [07/17] – 7 fatos que talvez você não saiba sobre custo direto.
  • [08/17] – Por que normalmente os autônomos se esquecem do custo indireto?
  • [09/17] – Qual a maneira correta de calcular o Ad Valorem?
  • [10/17] – Qual o percentual correto deve ser utilizado no GRIS?
  • [11/17] – Tabela completa com todas as generalidades cobradas no mercado.
  • [12/17] – Como fazer o cálculo do pedágio usando mais de um formato?
  • [13/17] – A carga tributária que você paga atualmente está correta?
  • [14/17] – Qual margem de lucro devo usar no mercado de transportes?
  • [15/17] – Como colocar corretamente os ingredientes para a formação do preço do frete?
  • [16/17] – Qual é o ponto de equilíbrio de uma viagem?
  • [17/17] – Planilha de frete, que automatiza o processo de cálculo de fretes.

Gostou das dicas? Conhece alguma outra estratégia ou dica quando o assunto é o pedágio? Se sim, deixe um comentário aqui embaixo. Vamos adorar saber a sua opinião.

Forte abraço e até o próximo artigo!
Ed Trevisan

Fontes de consulta:

  • Jean Santos

    Tudo bem Ed ? Acampanho seu blog já algum tempo parabéns pelo trabalho !, não trabalho no ramo de transporte, porém gosto da área pesquiso bastante, tenho vontade de um dia ter meu próprio veiculo, sei que situação do país não e favoravel no momento, mas na minha visão os autonomos olham para caminhão como meio de sobreviver e não como empreendedores isso e um erro, porque caminhao e como uma empresa tem custo fixo, variaveis, indiretos , pedágio e imposto etc…Caminhao e um negócio como qualquer outro, tem que ter planejamento e disciplina financeira,pesquisar mercado,e enquanto o autonomo não tiver conhecimento como empreendedor,vai continuar rodando barato, vai trabalha desmotivado vai quebrar com tempo, e ainda estara prejudicando os seus colegas de profissão, se todos os autonomos cobrar o valor mais justo e dizer não para esses fretes ridículos, garanto que não terá outra saida para os embargadores, porque o nosso país ainda vai depender muito da malha rodoviaria , e carga parada e prejuizo para embargador.

    • Olá Jean, tudo bem?

      Ótimas colocações, eu também acredito que uma classe mais unida e cobrando o preço justo elevariam os valores de frete, porém não é algo fácil e rápido.

      Por hora o que temos que fazer é buscar a conscientização de todos, e esperar que esta cultura mude, mesmo que aos poucos.

      Forte abraço!