10 TIPOS DE LOGÍSTICA REVERSA PARA VOCÊ TRANSPORTAR, O ÚLTIMO É MEU PREFERIDO!

Saia da crise com a logística reversa

Interessado em conhecer alguns tipos de logística reversa que podem ser o caminho para você sair da crise?

Se você respondeu sim, é porque já deve saber do poder e proporção que a logística reversa vem tomando nos últimos anos.

Se não, sinto dizer, mas ao subestimar a importância deste tema nos transportes, e na logística como um todo, pode ser que você esteja perdendo uma enorme chance de criar um diferencial e se destacar no mercado.

E nós sabemos o quão trabalhoso pode ser se destacar no mercado de transporte de cargas com um serviço diferenciado.

No entanto, sei também que se especializar em um tipo de logística reversa pode ser trabalhoso e gerar investimento, por isso muitos desistem antes mesmo de entender este tipo de operação.

Um transporte de qualidade na logística reversa começa, principalmente, com a especialização do transportador, o que irá fatalmente atrair a atenção dos clientes.

Foi pensando nisso que selecionei os melhores exemplos de logística reversa que você pode conhecer, se especializar, e sair da crise.

Então continue lendo este artigo para conhecer 10 exemplos de logística reversa que farão com que você deixe para trás os tempos de fretes comuns, superconcorridos, e com preços defasados.

  • Saiba mais sobre o conceito de logística reversa
  • Conheça os tipos de logística reversa que você pode atuar
  • Entenda as oportunidades escondidas para o transportador
  • Acesse exemplos de empresas que já atuam com logística reversa

CONCEITO DE LOGÍSTICA REVERSA

Conceito de logística reversa

Mas o que é logística reversa?

Se você pensar na logística normal, irá imaginar os processos padrão.

Materiais são produzidos nas indústrias, depois transportados para distribuidores e varejistas, que por sua vez vendem para o consumidor final.

Agora imagine o processo ao inverso disso.

Alguns materiais podem (e muitas vezes devem) retornar para seus locais de origem, ou porque estão com algum defeito, ou porque já foram consumidos e não podem ser jogados no meio ambiente.

Pensando nisso foi criada em 2010 a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305/10, para enfrentar os problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

Esta lei, somada a uma série de outras regulamentações, instituiu a responsabilidade compartilhada dos geradores (fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes) pelo manejo dos resíduos sólidos e líquidos, em diversos ramos, que irei te mostrar logo mais.

Com isto, surgiu uma grande oportunidade de mercado, para que operadores logísticos e transportadores possam realizar estes serviços.

Como sempre acontece, as grandes empresas, principalmente fabricantes, logo começaram a se mobilizar para poder atender às exigências legais.

Porém, seria um desperdício pensar em investimentos apenas para cumprir a lei, era preciso pensar em outros aspectos relevantes nesta cadeia.

Bases da logística reversa nas empresas

Acredito que você saiba o quanto é importante a consciência ambiental, mas as empresas vivem de lucro, e elas precisam ter retorno sobre qualquer investimento.

Pensando nisso, empresários viram na exigência legal uma grande oportunidade para melhorar seus indicadores em dois pontos muito importantes.

Redução de custos

As empresas entenderam que, em alguns ramos, o retorno dos materiais usados, pode ser uma grande oportunidade de reduzir custos.

Através do reuso, ou reciclagem, é possível matar dois coelhos: ajudar a sociedade, e baratear o custo da matéria-prima.

Imagem corporativa

Hoje em dia muitos consumidores escolhem marcas que se preocupam com o meio ambiente, mesmo que sejam mais caras.

Vivemos na era da internet, em que bons exemplos das empresas não são vistos mais como diferencial, mas como uma obrigação.

Porém, quando o caso é o contrário, e alguma empresa desrespeita o meio ambiente por exemplo, as consequências podem ser desastrosas pela exposição da marca nas redes sociais.

Canais de distribuição da logística reversa

Talvez você esteja pensando que só existe o retorno de materiais usados na logística reversa, mas na verdade existe um outro canal, tão importante quanto, pela questão do consumidor.

Pós consumo

O canal pós consumo é o que a gente vem falando até agora, no qual o produto já foi consumido ou está vencido.

O que sobra destes produtos precisa ter uma destinação correta, de forma estruturada e organizada.

Pós-venda

Se um consumidor comprou um produto por telefone ou internet, ele tem o direito de devolvê-lo em até 7 dias mesmo sem explicar o motivo.

No caso de defeitos ou produto diferente da oferta, o consumidor tem 30 dias para reclamar.

Isto traz enormes oportunidades, pois aproximadamente 5% de tudo o que é vendido pelo e-commerce no Brasil acaba retornando ao vendedor.

Esta taxa ainda é baixa no Brasil, se olharmos para mercados mais maduros, como os Estados Unidos, a taxa chega a 12%.

TIPOS DE LOGÍSTICA REVERSA

Ramos da logística reversa

Dentro da logística reversa existe uma grande quantidade de ramos nos quais os produtos ou as embalagens precisam retornar após o consumo, além é claro do retorno pós-venda, que é quando o cliente exerce o direito de devolver o produto.

Contudo, nem todos os ramos são interessantes para quem atua com transporte e logística.

Por isso, eu selecionei somente os melhores ramos da logística reversa nos quais você pode atuar.

Vamos ver agora quais são estes ramos de negócio e produtos.

#01 – Pneus

Por serem resíduos de difícil decomposição, os pneus inservíveis, se descartados de forma inadequada na natureza, podem gerar prejuízos enormes para o meio ambiente e para a saúde das pessoas.

Um dos maiores problemas que vem acontecendo nos últimos anos, é a epidemia de dengue no país, e os pneus velhos têm uma contribuição muito grande para a procriação destes mosquitos.

A indústria de pneus, através de sua associação, criou o Reciclanip, uma associação sem fins lucrativos responsável pela coleta de mais de 600 milhões de pneus desde 2007.

Veja o vídeo de apresentação da instituição.

#02 – Óleos lubrificantes

O Brasil é, como você deve saber, autossuficiente em petróleo, porém precisa importar óleos lubrificantes, isto porque a quantidade extraída da produção de petróleo não é suficiente para atender à demanda do país.

Também por este motivo, o rerrefino de óleos lubrificantes usados (OLUC) é muito importante, porque evita a importação e diminui os custos.

O óleo usado pode ser totalmente reaproveitado, tornando-se 100% igual ao óleo do primeiro refino.

Atualmente 40% do consumo de óleos lubrificantes no Brasil retornam através da logística reversa e são rerrefinados. Isto significa que existe um mercado enorme (60%) ainda a ser explorado.

A indústria de rerrefino, representada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Rerrefino de Óleos Minerais, criou um vídeo institucional que mostra de forma bastante interessante como este processo funciona.

Veja o vídeo logo abaixo.

#03 – Baterias automotivas

As indústrias de baterias têm a responsabilidade de fazer a logística reversa, por isso elas fazem acordos com sucateiros que levam até elas as baterias usadas.

Estas baterias são então levadas até empresas especializadas para desmontagem e aproveitamento do:

  • Chumbo;
  • Plástico;
  • Ácido.

Veja este vídeo bastante explicativo sobre como funciona todo o processo.

#04 – Embalagens de agrotóxicos

Quando o assunto é a logística reversa das embalagens de agrotóxicos o Brasil é referência mundial, com 94% destas embalagens sendo retornadas para a reciclagem.

Por ser um mercado já maduro, o espaço para o transportador é pequeno, mesmo assim achei importante destacar por tratar-se de um exemplo a ser seguido pelos outros ramos da logística reversa.

Através do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), fundado no final de 2001, as indústrias de defensivos agrícolas conseguiram mostrar que é possível respeitar o meio ambiente, melhorar a imagem corporativa, e ainda lucrar com tudo isso.

Veja o vídeo institucional do inpEV.

#05 – Eletroeletrônicos

O consumo de eletroeletrônicos no Brasil e o no mundo é cada vez maior e o tempo de uso destes aparelhos cada vez menor.

Agora imagine a quantidade de lixo eletrônico que se forma toda vez que estes produtos são descartados.

Mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos implantada, ainda existem enormes desafios e também oportunidades neste ramo.

Veja neste vídeo abaixo mais detalhes.

#06 – Lâmpadas fluorescentes

No Brasil são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tipo de tratamento, contaminando o solo e a água com metais pesados.

Isto significa que, além de ser um enorme problema ambiental, existe uma grande oportunidade comercial para ser explorada.

A Apliquim Brasil Recicle é a única empresa do país que recupera o mercúrio em seu estado líquido elementar, garantindo o reaproveitamento desse resíduo e dos demais componentes das lâmpadas, como o vidro e o alumínio.

Vejo que se o Brasil tem tecnologia para reciclar as lâmpadas fluorescentes, o que falta são iniciativas locais para coleta destas lâmpadas e envio para reciclagem.

Com 94% das lâmpadas sendo descartadas, existe um mercado inteiro a ser explorado.

#07 – Medicamentos vencidos

Estima-se que quase 90% dos medicamentos vencidos estão nas casas dos consumidores.

Quando estes medicamentos finalmente forem descartados, o destino será o lixo comum, o que é um grande erro por parte da população.

O problema é que não existem ainda leis claras que regulamentem a logística reversa de medicamentos.

Porém, esta realidade vai mudar um dia e você precisa estar preparado.

Nas farmácias, o que se vê é ainda um número bastante pequeno de lojas onde existe um ponto de descarte dos medicamentos.

Mesmo que atualmente não esteja regulamentado, com certeza nos próximos anos haverá uma determinação para que todas as farmácias tenham pontos de coleta.

Somado a isso, o setor de saúde é um dos últimos a sofrer reflexos da crise que vive o país, o que é uma ótima notícia.

Você pode ver nesse artigo como empresas de logística estimam até crescimento num mercado que movimenta anualmente cerca de R$ 70 bilhões.

#08 – Construção civil

A logística reversa da construção civil tem enormes oportunidades, uma vez que praticamente tudo o que sobra nos canteiros de obra é descartado.

No meio dos descartes muita coisa pode ser reaproveitada e recolocada no mercado, trazendo lucros para quem opera, para o meio ambiente e para a sociedade.

Dentre os tipos de materiais que sobram nas obras destacam-se:

  • Madeiras;
  • Pregos;
  • Gesso;
  • Areia e pedra.

No momento do descarte tudo isto vem misturado e parece não ter valor, mas à medida que são separados e classificados, podem ter um uso ainda mais eficiente do que os originais.

Veja neste vídeo 3 iniciativas de empresas que conseguiram dar a destinação correta aos dejetos da construção civil.

#09 – Vidros

Segundo a Abividros, existe um mercado potencial desperdiçado de R$ 8 bilhões com a reciclagem de vidros.

Desde garrafas até vidros automotivos, 40% de tudo o que é descartado todos os dias não é reaproveitado.

Se por um lado isto traz um prejuízo ambiental muito grande, por outro existe uma enorme oportunidade, inclusive para o transportador.

Uma iniciativa que vem trazendo bons resultados há vários anos é da empresa Massfix, de São Paulo.

E-COMMERCE

E-commerce na logística reversa

Este é o 10º tipo de logística reversa e, diferente de todos os outros que eu citei até aqui, não pertence ao canal de pós-consumo, em que os produtos já foram consumidos ou estão vencidos.

No e-commerce, a logística reversa trata dos produtos que, por alguma razão, devem retornar ao fabricante ou à empresa que vendeu, logo após a venda.

O e-commerce fatura atualmente quase R$ 60 bilhões por ano no país, sendo que aproximadamente R$ 3 bilhões em produtos necessitam da logística reversa, pois precisarão retornar aos vendedores.

Mesmo tendo diversas empresas que já se estruturaram para atender a este mercado, ainda existem enormes oportunidades porque este mercado cresce a cada dia e continuará crescendo até na crise.

As lojas de e-commerce normalmente usam as seguintes modalidades para a devolução de produtos:

  • Coleta no local;
  • Coleta no local com hora marcada;
  • Pontos de entrega;
  • Logística reversa simultânea.

O transportadores normalmente se especializam na logística de e-commerce como um todo, fazendo inclusive a logística reversa.

Existe inclusive logística reversa nos correios, mas como todos os grandes transportadores, não tem foco neste processo.

Para o pequeno transportador, talvez seja uma ótima oportunidade focar exclusivamente na logística reversa, pois este serviço é visto atualmente como um fardo para o parceiro logístico dos sites de e-commerce.

OPORTUNIDADES PARA O TRANSPORTADOR

Oportunidades na logística reversa

Os 10 ramos da logística reversa que eu citei acima têm oportunidades para quem transporta.

Se você se interessou por algum deles é fundamental que você pesquise mais a fundo o ramo, para entender onde e como você pode atuar.

Você precisa pensar na logística reversa de duas formas muito importantes:

  1. Logística reversa não é como fazer fretes comuns, em que você não encontra obstáculos em localizar alguém precisando dos seus serviços, mas tem uma grande dificuldade em colocar o preço justo;
  2. Justamente por ter uma maior dificuldade de implementação, você precisará se dedicar mais, porém as chances de conseguir um preço mais alto no frete são muito maiores.

Além disso alguns ramos ainda não tiveram a logística reversa regulamentada, o que significa que haverá uma demanda muito superior quando as empresas forem obrigadas a dar uma destinação correta para seus produtos após o uso.

Podemos dizer que ainda estamos no início da logística reversa, e vai depender de você optar por este ramo, plantando agora para colher muitos frutos no futuro.

EXEMPLOS DE EMPRESAS DE LOGÍSTICA REVERSA

Exemplos na logística reversa

Se você procurar por exemplos de transportadoras que trabalham com logística reversa verá que não é tão difícil encontrá-las.

Porém, o problema que encontrei foi que estas empresas dizem ter a logística reversa como um serviço, mas são extremamente genéricas no assunto.

Fazer o retorno de produtos para a base não é tão simples assim, ou seja, se você oferece um serviço de buscar alguma carga no ponto A para levar ao ponto B, mesmo que seja de produto consumido, você está apenas fazendo um serviço de frete.

Para fazer logística reversa você precisa se especializar, conhecer o processo inteiro, e oferecer uma solução que traga benefícios ao seu cliente.

Veja agora exemplos de empresas que se especializaram e realmente têm um diferencial, seja no transporte dentro da logística reversa ou como uma indústria deste mercado.

#01 – Pneus

#02 – Óleos lubrificantes

#03 – Baterias automotivas

#04 – Embalagens de agrotóxicos

#05 – Eletroeletrônicos

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#06 – Lâmpadas fluorescentes

#07 – Medicamentos vencidos

#08 – Construção civil

#09 – Vidros

#10 – E-commerce

CONCLUSÃO

Logística reversa - conclusão

Não perca esta oportunidade de conhecer mais a fundo a logística reversa, e tentar encaixar um modelo para o seu negócio.

Você sabe que pode não ter uma segunda chance, estas oportunidades aparecem, mas com o tempo são tomadas por pessoas que foram mais rápidas que você.

Apesar do enorme potencial que a logística reversa oferece, jamais esqueça que é fundamental muita pesquisa e conversa com quem já está no ramo.

Entenda o porquê alguns ramos estão mais maduros, todos os custos envolvidos e possibilidades de parcerias.

Minimize as suas chances de erro!

Se você gostou do tema e tem interesse em se aprofundar em algum dos ramos me avise, envie um e-mail para ed@fretecomlucro.com e me conte qual ramo te interessou mais.

Ah, não esqueça de comentar abaixo também, sua opinião é muito importante para mim.

Forte abraço!

Ed

  • Luiz Mourão

    Muito interessante e informativo! A mudança começa com a informação e vc , com este artigo colabora e muito!!

    • Olá Luiz Mourão, muito obrigado pelo seu comentário, é motivador saber que estou colaborando =) Forte abraço!!

  • Maria Clara Ferreira

    Menino do céu, que artigo maravilhoso! Esclareceu muitas dúvidas e criaram outras hahaha. Uma pergunta: Por exemplo, se eu criar uma empresa que apenas coleta lâmpadas e vidros, eu posso vender para empresas de transformação (reciclagem) ? Pq criar uma empresa que comece a trabalhar com a transformação dos materiais, o investimento é mais alto e arriscado, tendo em vista que a cidade em que eu moro não tem essa cultura socioambiental muito forte. E sobre o frete,como funciona na logística reversa? o que leva em conta na hora de forma o valor? Grata =)

    • Maria Clara, tudo bem?
      Fico feliz que o artigo tenha te ajudado =)

      Concordo contigo que é melhor começar com uma empresa de coleta apenas, além de mais barato irá te possibilitar entender melhor o ramo.

      As empresas de reciclagem sem dúvida poderão comprar de você, mas é importante tentar contato com algumas delas durante seu planejamento, para entender a dificuldade de entrada e o que eles exigem.

      Na questão do frete, os valores normalmente são maiores pela especialidade do transporte, quanto mais específico é um transporte, mais caro ele fica.

      Não saberia te dizer valores no transporte de lâmpadas, mas você pode descobrir fazendo orçamentos com empresas que já operam.

      Espero ter te ajudado.
      Abraço.