10 DICAS INFALÍVEIS PARA ECONOMIZAR NO SEGURO DE TRANSPORTES

Faça seguro de transportes mas também evite acidentes

Dói quando vemos aquela fatura do seguro de transportes, não é mesmo?

A gente pensa muitas vezes que o valor gasto com o seguro, seja da carga ou do próprio caminhão, é dinheiro jogado fora.

Ninguém quer usar o seguro, mas quando o pior acontece nós damos graças por ter feito um.

Eu já vi situações de empresas que quebraram porque não tinham seguro, e tenho certeza de que você não quer que isso aconteça contigo.

Mas então, o que fazer?

Como você deve saber, o seguro de acidente é obrigatório, e muitas pessoas se perguntam por que obrigar os transportadores, por que não deixar à livre escolha de cada um.

A verdade é que a obrigatoriedade tem um motivo justo, se não fosse por ela você estaria pagando um valor muito mais alto de prêmio, pagando por aqueles que iriam preferir o risco, e aí você já sabe no que iria dar.

Portanto, se o custo está aí e você não pode escapar, o que você deve pensar é em como economizar, pense no seguro de transporte como as unhas dos nossos dedos, que nunca paramos de cortar.

Tenha em mente que existem sim formas de reduzir seus custos, e em tempos difíceis como hoje em dia isso é essencial.

Continue lendo este artigo e você conhecerá as 10 dicas infalíveis para economizar no seguro de transportes.

Mas atenção! Estas dicas são extremamente poderosas e devem ser usadas com ética.

Além disso, se você não disser às seguradoras informações verdadeiras corre o risco de ter o pagamento do sinistro negado.

TIPOS DE SEGURO DE TRANSPORTES

Seguros para embarcador e transportador

Conhecer os tipos de seguro é importante para você entender exatamente a dinâmica deste mercado e encontrar as oportunidades.

Os seguros são feitos para dois tipos de interessados:

Embarcador

É normalmente o dono das mercadorias, é a empresa que necessita do deslocamento do produto entre dois pontos.

Como o embarcador é o dono da carga, ele faz um seguro que garanta o ressarcimento para ele do valor segurado em caso de sinistro.

Existem 2 tipos de seguros de transporte que o embarcador pode fazer:

Transporte Nacional

  • É um seguro obrigatório;
  • O dono da mercadoria pode transportá-la em frota própria, contratar uma empresa transportadora ou um transportador autônomo;
  • A cobertura para a circulação doméstica de cargas garante:
    • Danos e prejuízos causados à mercadoria durante o transporte em quaisquer vias, sejam terrestres, aéreas ou sobre a água, em caso de acidente com o veículo, provocado por colisão, capotagem, abalroamento, tombamento, incêndio ou explosão;
    • Roubo das mercadorias transportadas por ação de assalto à mão armada ou desaparecimento da carga (quando o veículo também é roubado). A cobertura contra roubo, no entanto, precisa ser contratada adicionalmente.

Transporte Internacional

  • Geralmente contratado em apólices all risks;
  • Cobrem todos os danos recorrentes do transporte aéreo, do embarque até a entrega da carga em seu destino final;
  • Dividido nas categorias importação e exportação, é possível contratar coberturas adicionais para guerras, greves, tumultos, despesas, frete, impostos, lucros esperados para a mercadoria que estiver destinada à revenda ou industrialização e deterioração de carga, entre outras.

Transportador

É o responsável pelo transporte da carga, ou seja, empresas ou autônomos que possuem transporte a oferecer.

No caso do transportador, como ele não é o dono da carga, ele só pode fazer seguros de responsabilidade civil sobre o transporte rodoviário da carga, ou seja, caso ele tenha algum sinistro vai poder acionar a seguradora para cobrir a sua responsabilidade.

Para o transportador rodoviário existem basicamente 3 tipos de seguro:

RCTR-C: Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga

  • É um seguro obrigatório;
  • Normalmente chamado de seguro de acidente;
  • Garante ao transportador rodoviário o reembolso de indenizações que ele for obrigado a pagar por prejuízos causados às mercadorias transportadas sob sua responsabilidade, caso ocorra acidente rodoviário durante o transporte como:
    • Colisão;
    • Capotagem;
    • Abalroamento;
    • Tombamento;
    • Incêndio ou explosão.
  • A cobertura é dada em todo o território nacional mediante a apresentação do conhecimento de transporte rodoviário, nota de embarque ou de outro documento que comprove a contratação do transporte.

RCTR-VI: Responsabilidade Civil do Transportador em Viagem Internacional (Danos à Carga Transportada)

  • É um seguro obrigatório;
  • Também conhecido como carta azul;
  • Utilizado na circulação dos meios de transporte no Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai);
  • Garante perdas ou danos sofridos pelos bens ou mercadorias de propriedade de terceiros que são transportados, da origem ao destino final, desde que causados por:
    • Colisão;
    • Capotagem;
    • Abalroamento;
    • Tombamento
    • Incêndio ou explosão do veículo transportador.

RCF-DC: Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga

  • É um seguro facultativo, ou seja, opcional;
  • Normalmente chamado de seguro de roubo;
  • Pode ser entendido como um seguro complementar aos seguros de acidente (nacional e internacional);
  • Garante riscos contra roubo de cargas transportadas;
  • A cobertura abrange roubo por ameaça grave ou violência;
  • A complexidade deste seguro acontece pela grande variedade de cargas, tipo de transporte, mercadoria, embalagem, perecibilidade, destino, período coberto, frequência de ocorrências e valores indenizados;
  • Quanto menores forem a frequência e os valores indenizados menor será a taxa de seguro.

Muita gente pergunta:

  • Por que contratar dois seguros (embarcador + transportador) para o mesmo fim?
  • Em caso de sinistro ambos os segurados serão reembolsados?

Veja este esquema que desenhei para você entender melhor o que acontece.

fluxograma do seguro de transportes

A carga em si só é paga uma vez em caso de sinistro, porém a seguradora do embarcador vai querer cobrar a responsabilidade civil de quem cometeu o sinistro, por isso é preciso o seguro do transportador.

A questão do DDR (Dispensa do Direito de Regresso)

Antes de falar da polêmica com o DDR deixa eu colocar o conceito, caso você não saiba do que se trata.

Carta DDR é um documento emitido pela seguradora do embarcador indicando que ela não irá entrar com uma ação contra o transportador em caso de sinistro, desde que ele tenha seguido as orientações de gerenciamento de risco.

No esquema que foi desenhado acima, caso o transportador não tenha seguro mas possui uma carta DDR e seguiu todas as normas da gerenciadora de risco, poderá se livrar de reembolsar a seguradora do embarcador.

Polêmica

A carta DDR vem sendo usada há muitos anos pelos embarcadores como uma forma de não pagar o Ad Valorem aos transportadores.

Segundo os embarcadores, já que a seguradora emitiu uma carta DDR o transportador estaria livre de fazer o seguro RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga).

Acontece que este seguro é obrigatório, ou seja, o transportador não está dispensado mesmo que possua a carta DDR.

O que acontece na prática é o transportador deixar de fazer o RCF-DC (Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga) quando ele possui a carta DDR.

Se o transportador estiver viajando com o RCTR-C + a carta DDR estará dentro da lei.

Agora, finalmente, vamos às dicas 😉

10 DICAS PARA ECONOMIZAR COM SEGURO DE CARGA

Dicas para economizar

Antes de começar a falar das dicas é importante você entender como funciona a lógica dos seguros de transporte.

Absolutamente tudo nos seguros é baseado em estatística e negociação.

Você sabia que:

  • De cada R$ 100 que as seguradoras recebem em prêmios de seguro de acidentes, R$ 58 são gastos com sinistros?
  • De cada R$ 100 que as seguradoras recebem em prêmios de seguro de roubos, R$ 72 são gastos reembolsando os embarcadores?

Isso significa, se houver menos acidentes ou roubos, o preço do prêmio vai certamente cair. Não existe mágica, a seguradora cobra simplesmente o preço para cobrir os sinistros que irão acontecer, pagar as despesas da operação do negócio de seguros e lucrar com o que sobrar.

DICA #1 – Reavalie se as regiões para onde você faz entregas não estão desatualizadas na apólice

Há algum tempo você fez uma apólice com validade de um ano, estimou as regiões para onde faz mais entregas, mas as regiões mudaram.

Se isso aconteceu com você é importante você avaliar estas novas regiões, talvez você tenha uma oportunidade de rever a sua apólice e baixar a taxa.

Se, estatisticamente as novas regiões têm menos acidentes ou roubos de carga você poderá pleitear uma redução, porque o risco da seguradora também diminuiu.

Veja aqui as regiões mais arriscadas para roubo de cargas.

risco de roubo por estado do Brasil

DICA #2 – Reavalie se o tipo de mercadorias que você anda entregando não mudou desde que você fez a apólice de roubo

Mesma situação da dica #1, só que voltada para a carga.

O tipo de carga transportada é super importante para a taxa do seguro, porque existem cargas mais visadas que outras.

Veja abaixo as mercadorias preferidas dos ladrões.

Se não você não transporta este tipo de produto é bom rever sua taxa junto ao corretor.

Mercadorias mais roubadas em São Paulo
Em R$ milhões, dados de 2011, no estado de São Paulo

DICA #3 – Pense no Gerenciamento de Riscos como uma forma de prevenção

Eu sei que você só pensa no Gerenciamento de Risco quando o assunto é roubo de cargas, mas você sabia que este tipo de sinistro representa apenas 9% das ocorrências no Brasil?

Os outros 91% estão divididos entre os eventos abaixo:

  • Queda de mercadoria;
  • Molhadura;
  • Extravio de carga;
  • Falta;
  • Colisão;
  • Tombamento;
  • Avaria durante o transporte;
  • Avarias da carga.

Se você pensar que o Gerenciamento de Riscos também pode ser útil em alguns dos eventos acima já estará à frente de outras transportadoras.

É importantíssimo prevenir, além de evitar o pior você irá ganhar créditos ano a ano com as seguradoras, o que também ajuda a baixar o valor do prêmio do seguro.

DICA #4 – Valorize o bom cadastro

Essa dica parece óbvia, mas a verdade é que muitas pessoas não têm tanta preocupação assim com o histórico junto às seguradoras.

Possuir uma ficha limpa nas seguradoras significa que sua empresa tem menos chances de acionar o seguro do que outras empresas, e isso pode te ajudar a reduzir o valor do prêmio de seguro.

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DICA #5 – Tenha cuidado com o valor a ser coberto pela apólice

Imagine que você vai fazer uma apólice de seguro por evento, com vigência de 1 ano.

O corretor vai te perguntar qual é o valor médio das cargas que você transporta.

Você diz que as cargas têm um valor médio de R$ 100 mil, mas que eventualmente você transporta cargas de até R$ 500 mil.

Se o corretor sugerir fazer o seguro de R$ 500 mil não aceite, isso vai aumentar bastante o valor do prêmio.

É melhor fazer no valor de R$ 100 mil e, quando você tiver que transportar valores maiores, informe ao seu corretor e pague a diferença.

Isso é algo que muita gente não sabe e pode ser uma grande oportunidade de redução de custos.

DICA #6 – Entenda no detalhe as coberturas sugeridas pelo corretor

Em toda contratação de seguro de transportes você terá direito a uma cobertura básica, e pagará por coberturas adicionais.

Existem vários de tipos de coberturas, por isso é muito importante você entender a real necessidade de cada uma delas em sua apólice, e escolher a que melhor se encaixa no seu caso.

Dê uma olhada abaixo nas 3 principais coberturas, sendo que a cobertura Ampla A é a mais cara de todas.

Tipos de cobertura de seguro de transportes

DICA #7 – Entenda o que é mais barato, DDR ou Seguro de Roubo

Quando o embarcador faz o seguro de transporte, ele pode pedir à seguradora para incluir na apólice a Dispensa do Direito de Regresso (carta DDR), que em teoria vai livrar o transportador de ter que pagar pela carga em caso de roubo.

O problema é que a carta DDR vem junto com uma série de exigências do Gerenciamento de Risco.

Estas exigências as vezes custam mais caras para serem cumpridas do que o próprio seguro de roubo que o transportador pode fazer.

É importante que você faça esta comparação e entenda o que é melhor para você ou sua transportadora.

É claro que você não terá muitas chances de negociar com grandes embarcadores, mas em empresas menores pode haver esta possibilidade.

DICA #8 – Use apólices abertas (de averbação), assim você paga pelo risco decorrido

Existem no mercado 3 tipos de apólices:

  • Apólices avulsas: podem ser usadas somente pelos donos da mercadoria, são específicas para uma operação e normalmente duram poucos dias;
  • Apólices simplificadas: são as apólices mais comuns, possuem normalmente prazo anual, são contratadas e pagas com antecedência;
  • Apólices abertas: melhor escolha para os transportadores, pois além de pagar somente depois do risco decorrido você pode ajustar os valores mês a mês mediante as averbações (listagem de mercadorias transportadas).

DICA #9 – Em toda renovação de seguro avalie outras opções no mercado

Você sabia que, mesmo trocando de seguradora, você não perde seu histórico?

É muito importante que você avalie o máximo de opções possíveis para conseguir o melhor preço.

É claro que a seguradora precisa ser confiável também, mas em tempos de crise é preciso buscar o melhor preço.

Existem atualmente no Brasil mais de 20 seguradoras que trabalham com seguro de carga, por isso você não tem desculpa para não pesquisar.

Mais abaixo vou listar todas estas seguradoras, inclusive com o link para o site de cada uma.

DICA #10 – Dê aquela chorada na hora de fechar o valor do prêmio

O seguro é um tipo de produto que sempre vai ter margem para negociação, é fundamental você tentar aquele choro para fechar no melhor valor.

À medida em que a frota da sua empresa aumenta o seu poder de negociação também irá aumentar, não desperdice isso.

Eu já vi empresas conseguirem até 65% de desconto sobre o valor de tabela da seguradora.

DICA BÔNUS – Cuide do valor da franquia

Eu sei que você faz o seguro de transportes pensando em não usá-lo, mas se precisar acionar o seguro poderá ter uma dor de cabeça se não cuidar do valor da franquia.

As vezes você pode pagar um valor menor pelo prêmio mas ter de desembolsar bastante em um sinistro, por isso fique esperto com o valor da franquia.

LISTA DE SEGURADORAS

A grande maioria das seguradoras de transporte no Brasil trabalham tanto com o embarcador quanto com o transportador, porém tem algumas com um foco maior nas empresas de transporte.

Eu sugiro que você comece por estas empresas, porque elas já estão totalmente adaptadas à sua necessidade, e vão poder te oferecer os produtos certos.

A imagem abaixo mostra a ordem delas, em que a 1ª é a que mais se dedica ao transportador, em relação ao embarcador, e assim por diante.

Lista de seguradoras de transporte

Os links para o site de cada seguradora estão abaixo, em ordem alfabética:

GERENCIADORAS DE RISCO

Como forma de prevenção e redução de custos, é muito importante que você também conheça as opções no mercado quando o assunto é gerenciamento de risco.

Abaixo segue uma lista das principais empresas no mercado brasileiro:

Tente entender como cada uma funciona, o que cada uma oferece, e veja se você está usando atualmente a melhor opção para sua empresa.

CONCLUSÃO – RECAPITULANDO

Para concluir este material sobre seguro de transportes eu gostaria que você refletisse sobre todos os pontos que foram colocados, pense que as opções existem mas depende de você fazer acontecer.

A questão dos seguros é mais uma forma de olhar para custos, mas a verdade é que as oportunidades estão em todos os lugares, depende apenas de como você as enxerga.

Pense sobre isso 😉

Agora vamos recapitular as 10 dicas para economizar no seguro de transportes:

DICA #1 – Reavalie se as regiões para onde você faz entregas não estão desatualizadas na apólice;
DICA #2 – Reavalie se o tipo de mercadorias que você anda entregando não mudou desde que você fez a apólice de roubo;
DICA #3 – Pense no Gerenciamento de Riscos como uma forma de prevenção;
DICA #4 – Valorize o bom cadastro;
DICA #5 – Tenha cuidado com o valor a ser coberto pela apólice;
DICA #6 – Entenda no detalhe as coberturas sugeridas pelo corretor;
DICA #7 – Entenda o que é mais barato, DDR ou Seguro de Roubo;
DICA #8 – Use apólices abertas (de averbação), assim você paga pelo risco decorrido;
DICA #9 – Em toda renovação de seguro avalie outras opções no mercado;
DICA #10 – Dê aquela chorada na hora de fechar o valor do prêmio.

Agora não esqueça de comentar logo abaixo, deixe sua opinião, estou curioso para saber o que você pensa à respeito deste assunto.

  • James Mendes

    muito bom parabéns

  • Lorena

    Bom dia Ed. Primeiramente, parabéns pelo blog!
    Sou corretora de Seguros, e estou em busca de conhecimento na área de Seguro transporte.
    Fechei com meu 1º cliente, o seguro RCTR-C e RCF-DC.
    Tenho uma dúvida.
    Para um dos clientes, do meu segurado, foi concedido a DDR total para o embarcador.
    Ok, minha pergunta é: os embarques devem ser averbados na apólice(RCTR-C e RCF-DC) do embarcador?
    Obrigada.

    • Gian Paris

      OI Lorena, sou corretor do seguros Também, posso te auxiliar neste caso, sou especialista em transportes. Me ligue (48) 996327447 Gian.