[ENTREVISTA] ÍNDICE DE DEFASAGEM DO FRETE

Programa Na Estrada - Rádio Bandeirantes

Ana Nery: Hoje no programa o assunto é defasagem do frete, nós estamos na linha com Lauro Valdívia, Assessor Técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, ANTC, ele vai explicar direitinho a respeito do índice de defasagem divulgado agora. Seja bem-vindo Lauro.

Lauro Valdívia: Tudo bom?

Ana Nery: Tudo ótimo. Quais foram os resultados que vocês encontraram nesse novo índice divulgado?

Lauro Valdívia: Olha a principal situação é o agravamento do setor de transporte, só pra você entender a gente já faz isso há quase dez anos, que agente publica e faz essa pesquisa, duas vezes por ano no início e no meio do ano.

Foi à primeira vez que o índice do meio do ano foi maior do que o do início do ano, a do início do ano foi 12,9 só que era conjunto carga lotação e carga fracionada, a partir desse segundo semestre a gente resolveu separar, depois eu vou explicar porque, se eu fosse calcular os dois juntos ele daria hoje em torno de 16,7, alguma coisa assim perto disso e no início do ano estava 12,9.

Ana Nery: E a que você atribui esse agravamento no setor?

Lauro Valdívia: Então o que aconteceu foi que esse ano normalmente as empresas recebem reajustes no começo do ano até março, abril, esse ano aconteceu o contrário em vez de reajuste a grande maioria deu desconto por conta disso em vez da defasagem diminuir, como é o normal, ela acabou aumentando.

Índice de defasagem do frete

Ana Nery: E Lauro como é calculado esse índice? Você falou sobre a carga fracionada e também a lotação e agora houve uma separação desses dois tipos aí isso?

Lauro Valdívia: Isso, a gente separou pelo uma questão bem simples, até o número explica, são atividades de transporte só que com segmentos bem diferentes, bem distintos, com características bem diferentes.

Na carga fracionada é aquela carga do pacotinho, de coleta em vários bairros, leva para terminal, e do terminal leva para outra cidade e na cidade distribui os pacotes dentro da cidade.

E a carga lotação é a típica carga de grãos de safra, pega lá no interior e leva pro porto, por exemplo, então carrega em um lugar só e descarrega em um lugar só, e é carga de um cliente só.

Por conta dessa diferença a gente resolveu separar o índice, e nesse caso a carga fracionada deu lá uma defasagem de 9,8 % e na lotação já pulou para 22,9, e é o mais prejudicado porque a concorrência é maior não é qualquer empresa que atua no segmento de carga fracionada, por quê?

Porque você precisa ter uma rede de distribuição, tem que ter várias filiais e vários pontos para poder justamente fazer essas coletas e essas entregas, então não é do dia pra noite que você consegue criar uma empresa com essa estrutura.

Já na carga de lotação qualquer pessoa que tenha caminhão é concorrente do outro.

Ana Nery: E como é feito o cálculo na prática?

Lauro Valdívia: Então o cálculo é simples a gente, a ANTC calcula um custo do transporte e a gente faz uma pergunta bem simples: A ANTC apurou um custo de X reais pra determinada viagem, quantos que você cobra acima ou abaixo desse valor?

E as empresas respondem, cobro 10% acima, 10% abaixo, dessas respostas a gente faz uma média e verifica qual a defasagem, o número referencia justamente isso quanto que as empresas estão cobrando, como o resultado é negativo, quanto elas estão cobrando abaixo do custo calculado pela ANTC.

Ana Nery: É possível modificar o cenário, a gente sabe que o histórico da defasagem é grande?

Lauro Valdívia: O que acontece é a defasagem diminuir ou aumentar, agora ela ta alta, é um problema do setor, ele tem que enfrentar isso, a ANTC tenta colocar na cabeça dos empresários e eles tem que cobrar melhor o serviço que eles prestam.

Então a gente tem ai aplicativos de celular, tem tabelas de referências de custo, planilhas de referência de custo, sistemas para cálculos de tabela de fretes, então tem uma série de ferramentas que a gente fornece para o mercado.

Faz eventos como estes que a gente discutiu a situação de mercado de transporte para tentar fazer essa conscientização que o transportador tem que cobrar melhor o frete, mas isso não depende da gente o que a ANTC pode fazer ela faz que é justamente essas ações e fornecer essas ferramentas.

Mas a gente não negocia por ninguém, então quando vem uma crise dessa a situação piora agora o mercado ele regula, de duas formas ou o volume de carga volta a crescer, e função disso melhora.

Uu se continuar nesse patamar o que acontece é que o equilíbrio vem pelo outro lado, ou seja, vão ter que fechar algumas empresas para que a oferta de caminhões diminua e por conta disso, a diminuição de ofertas de caminhões, o equilíbrio volte e o frete volte a subir.

O que a gente espera é que a economia reative e não aconteça isso apesar de já estar acontecendo essas ações já vem acontecendo, tem muita empresa fechando ou em recuperação judicial.

Só pra você ter uma ideia a pesquisa aponta que em média as empresas têm 11% da frota parada por falta de carga, e é engraçado que isso ai ainda é uma coisa boa 11%, mas a gente não leva em consideração as empresas que fecharam onde 100% da frota ficou parada.

Porque essas daí não responderam à pesquisa, a situação é grave no setor e a gente vem discutido o problema do setor ontem e hoje justamente para isso, conscientizar o mercado e tem que melhorar a cobrança do frete e a gente está falando de uma defasagem em relação a custo não estamos nem falando de preço.

Porque preço envolve alguns impostos e margem de lucro, se você considerar tudo isso o número é maior ainda.

Ana Nery: E você como um conhecedor do setor você já presenciou alguma situação semelhante tão ruim assim Lauro?

Lauro Valdívia: Eu estou no setor há vinte anos, mas eu nunca vi uma crise assim tão longa. O problema do transporte é que assim tem que ter uma colchão bem resistente, então ele aguenta bem ai a essa questão de pressionar o frete por um tempo.

Mas se a coisa se prolonga de mais ai não tem jeito, as empresas tentam reduzir custo e tal mais chega uma hora que não tem jeito não, ela acaba fechando as portas principalmente as endividadas.

Até que tem um detalhe a gente tem uma pergunta que a gente fez no início do ano que é o que ele espera do frete, se ele vai melhorar piorar permanecer estável, no início do ano um pouco mais da metade achava que ia piorar já agora no meio do ano a coisa melhorou um pouco só 40% acha que vai piorar, ou seja, o pessoal está melhorando a situação deles e estão como uma esperança maior.

Mas a gente sabe que não depende só deles depende uma parte do governo de fazer a reforma colocar a conta em dia, se o governo for rápido a recuperação é mais rápida se ele for mais devagar a recuperação demora mais, então todo mundo acredita que deve melhorar o mais tardar ano que vem.

Ana Nery: Mas pelo menos há otimismo né?

Lauro Valdívia: Pelo menos o humor a gente vê que está mudando um pouquinho.

Ana Nery: É não tem defasagem no humor.

Lauro Valdívia: Pelo menos no humor não.

Ana Nery: Que bom, Lauro Valdívia, assessor técnico da ANTC e Logística, Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística aqui conosco na Rádio Bandeirantes. Lauro muito obrigado até uma próxima.

Lauro Valdívia: De nada, obrigado estamos à disposição.

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