(10/17) – GRIS – GERENCIAMENTO DE RISCO – SAIBA DE UMA VEZ POR TODAS O PERCENTUAL CORRETO A SER COBRADO DO SEU CLIENTE

GRIS - Gerenciamento de Risco

Você sabe o que é GRIS? E como ele deve ser incorporado no valor do frete?

Abreviado de GRIS, o Gerenciamento de Risco é um custo muito importante, e de extrema necessidade quando você transporta cargas valorizadas.

Se você trabalha com transportes, muito provavelmente já precisou fazer uso de empresas de Gerenciamento de Risco.

O maior dos motivos é a exigência de seguradoras, mas nada impede que você faça a contratação deste serviço visando a própria segurança do veículo e motorista.

Mas e na hora de cobrar o frete do cliente, será que você deve embutir este custo?

Além disso, quanto deve ser cobrado do cliente? Dado que para cada exigência da seguradora ou tipo de carga os valores do GRIS podem mudar?

Essas e outras respostas você irá encontrar nas próximas linhas desse artigo.

Meu objetivo é que você saiba não somente como e quanto cobrar de GRIS do seu cliente, mas que possa entender definitivamente tudo sobre este serviço e seus custos.

O GRIS é uma variável de custo no frete, que com certeza tem suas peculiaridades, e elas precisam estar explícitas aqui, para que você entenda exatamente do que se trata.

Seja você um embarcador, dono de transportadora, ou um caminhoneiro autônomo, é muito importante se aprofundar no assunto, para não errar quando se deparar com o GRIS.

Ficou curioso(a) para conhecer os benefícios e custos do GRIS? Então continue lendo este artigo para aprender mais sobre:

  • O que é, nos mínimos detalhes. o Gerenciamento de Risco (GRIS)
  • Dentro do Ad Valorem, como o custo com GRIS se encaixa
  • Quais são os custos relacionados ao GRIS, dentro do transporte de cargas
  • Que fatores contribuem na variação da tarifa
  • Qual a tarifa normalmente praticada pelo mercado

Gostou do que está por vir? Então compartilhe com seus amigos e vamos juntos promover este conceito, gerando mais entendimento no setor da importância do GRIS.

GRIS – GERENCIAMENTO DE RISCO: CONCEITO

O que é GRIS?

Se você parar e pensar, o risco que motoristas correm na estrada é grande e pode ser representado de diversas formas.

A começar por acidentes, passando problemas mecânicos, e até de saúde do motorista, os riscos podem e devem ser gerenciados.

Porém, o gerenciamento de risco, conhecido como GRIS, focou em uma única modalidade, o roubo de cargas.

Empresas de gerenciamento de risco fazem uso de duas vertentes para evitar que aconteça um roubo, são elas:

  1. Tecnologia: através de rastreadores instalados nos caminhões, e computadores que fazem o monitoramento nas centrais, é possível fazer uso de uma infinidade de comandos que muitas vezes evitam o roubo propriamente dito;
  2. Inteligência: não basta apenas ter bons equipamentos, é preciso criar estratégias para cada rota, de uma forma a burlar a ação dos ladrões.

Um bom PGR, que é o Plano de Gerenciamento de Riscos, contempla:

  • As paradas programadas dos motoristas;
  • Um horário inteligente de saída da empresa, de uma forma a prever o horário de cada parada;
  • Ações programadas do motorista, que pode demonstrar a normalidade ou algum problema na estrada.
  • Qualificação técnica e comportamental dos motoristas, através de treinamentos, orientações, cursos de direção preventiva, além de exames de vista e glicemia.

O foco do GRIS será sempre evitar o roubo, porém se algo acontecer existem vários mecanismos que as empresas de Gerenciamento de Riscos utilizam para tentar ainda salvar a carga, como bloqueios e sirenes.

Planilha de Cálculo de Frete Rodoviário

O CUSTO COM GRIS DENTRO DO AD VALOREM

Se você está me acompanhando nesta série sobre cálculo de fretes, deve saber que o GRIS é um dos componentes do Ad Valorem, que é a taxa percentual cobrada sobre o valor da nota fiscal da mercadoria transportada.

Pois bem, assim como o Ad Valorem é cobrado de forma percentual, o GRIS também deve ser cobrado da mesma forma, mas não separadamente.

O embarcador, ou o cliente da transportadora, deve entender que existe uma taxa de Frete Valor (Ad Valorem) que garante o risco pelo transporte daquela mercadoria, mas normalmente não precisa entender detalhe a detalhe o que compõe aquela tarifa.

Agora, é muito importante que você entenda que algumas cargas não necessitam de GRIS, e por isso podem ter uma taxa percentual de Ad Valorem menor.

Da mesma forma, não dá para transportar uma carga de produtos eletrônicos e cobrar um mesmo percentual de Ad Valorem que seria cobrado para transportar madeira por exemplo.

CUSTOS RELACIONADOS AO GRIS

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Mas quais são de fato os custos relacionados ao GRIS?

Muitas vezes os custos são subestimados pelos clientes, e até mesmo pelas próprias transportadoras, porém é preciso olhar com muita cautela para cada um deles.

Dentro os principais custos com Gerenciamento de Riscos estão:

Salários

É preciso remunerar toda a cadeia de pessoas que monitoram estes caminhões dia e noite, muitas vezes através de horas extras, além de todo o reflexo dos encargos sociais.

Estas pessoas não são aquelas que trabalham na gerenciadora de risco, mas sim daquele departamento dentro da própria empresa de transportes.

Investimentos

Para que se consiga um monitoramento preciso da frota, é necessário investir em sistemas de rastreamento e monitoramento.

As empresas especializadas cobram taxas de habilitação dos equipamentos e por eventuais reparos.

É preciso considerar os valores gastos como um investimento, com taxa de retorno deste investimento e depreciação, até porque eles precisarão ser repostos após alguns anos.

Custos operacionais

Vários são os custos operacionais que uma empresa de transporte tem quando falamos de GRIS.

É constante a necessidade de se fazer consulta ao cadastro dos motoristas, pedir escoltas para determinadas cargas, além de mensalidades pelo uso do serviço em si.

Custo subestimado

Como citado acima, o custo total com GRIS é muitas vezes subestimado.

Em pequenas empresas, a atividade de gerenciamento de riscos é feita pela própria administração do negócio, o que toma tempo, mas não é contabilizado no preço ao cliente.

Na maioria das vezes isso acontece porque é extremamente complexo separar este custo se não há um setor específico para tal atividade.

FATORES DE VARIAÇÃO DA TARIFA

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A tarifa de GRIS deve ser embutida no Ad Valorem, porém ela pode variar conforme alguns fatores importantes.

Faixa de valor agregado da mercadoria

Quanto maior o valor da carga, maior a atratividade para os ladrões, por isto é preciso tratar não apenas do valor total em R$ do GRIS, mas de um valor percentual que realmente garanta a cobertura pelos riscos decorrentes de um possível roubo.

Tipo de produto

Uma carga de produtos leves, como eletrônicos por exemplo, tem um risco maior de roubo se comparada a uma carga de tratores por exemplo.

É mais fácil para um ladrão dispersar e fugir com computadores do que dirigindo um trator no meio da rua.

Características de comercialização

Algumas mercadorias, por mais leves que sejam, podem ter na comercialização um grande fator de dificuldade.

Imagine um ladrão precisar vender um quadro de um pintor famoso, por mais valioso que possa ser o quadro, dificilmente ele conseguirá chegar próximo do preço, porque as chances de ser identificado e preso são muito altas.

Identificação da mercadoria

Muitos produtos podem ser facilmente identificados, e quanto maior a possibilidade de identificação das unidades, através de número de série, lote, etc .. menor as chances de serem roubados, o que pode baratear o GRIS.

SUGESTÃO DE TARIFA DE GRIS

tarifa

Conforme citado logo acima, a tarifa de GRIS pode variar de acordo com uma série de variáveis.

Mesmo assim, é possível considerarmos uma média, como forma de balizamento na hora de fazer os cálculos e cobrar dos clientes.

A NTC&Logística, Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, recomenda um valor de referência de 0,30%, com um mínimo de R$ 3,00 por conhecimento de frete.

Esta taxa, conforme já citado, é parte integrante do Ad Valorem, e pode ser usada em cargas normais, porém com seguro de roubo.

Com base em cada carga e situação de entrega, você poderá avaliar se aumenta ou diminui o percentual.

CONCLUSÃO: GRIS

Conclusão sobre GRIS

Na minha visão é fundamental entender no detalhe todas as variáveis que permeiam o GRIS, pois só assim você conseguirá calcular com segurança esta importante taxa.

Quando falamos em custos com transportes não se pode esquecer de nenhum valor e o GRIS irá aumentar a sua importância na medida em que a carga transportada for mais valiosa ou com maior risco de roubo.

Para que você possa tirar o máximo proveito da leitura que acabou de fazer eu sugiro que você revise na sua empresa quais taxas de GRIS foram cobradas nos últimos fretes.

À medida que você for encontrando estas taxas tente perceber uma relação entre o percentual e o tipo de carga, ou o destino da viagem.

Tenho certeza de que ficará muito mais claro para você, e as chances de usar este custo da forma mais correta possível serão maiores.

Só se conhece o que se pratica.
Barão de Montesquieu

Planilha de Cálculo de Frete Rodoviário

Série: Cálculo de fretes

Já leu os demais artigos da série? Veja abaixo a lista de artigos, e não perca a oportunidade de se aprofundar hoje mesmo no assunto.

  • [01/17] – Como fazer o cálculo de fretes sem perder dinheiro.
  • [02/17] – Por que você pode perder dinheiro se não calcular a cubagem?
  • [03/17] – 7 motivos para você considerar a depreciação no seu cálculo de fretes.
  • [04/17] – Por que o custo de oportunidade não pode ficar de fora da sua planilha?
  • [05/17] – Como calcular seu custo fixo por dia?
  • [06/17] – Quais as vantagens de saber o custo variável por km rodado?
  • [07/17] – 7 fatos que talvez você não saiba sobre custo direto.
  • [08/17] – Por que normalmente os autônomos se esquecem do custo indireto?
  • [09/17] – Qual a maneira correta de calcular o Ad Valorem?
  • [10/17] – Qual o percentual correto deve ser utilizado no GRIS?
  • [11/17] – Tabela completa com todas as generalidades cobradas no mercado.
  • [12/17] – Como fazer o cálculo do pedágio usando mais de um formato?
  • [13/17] – A carga tributária que você paga atualmente está correta?
  • [14/17] – Qual margem de lucro devo usar no mercado de transportes?
  • [15/17] – Como colocar corretamente os ingredientes para a formação do preço do frete?
  • [16/17] – Qual é o ponto de equilíbrio de uma viagem?
  • [17/17] – Planilha de frete, que automatiza o processo de cálculo de fretes.

Gostou das dicas? Tem alguma sugestão que possa ajudar os demais leitores sobre este assunto? Se sim, deixe um comentário aqui embaixo. Vamos adorar saber a sua opinião.

Forte abraço e até o próximo artigo!
Ed Trevisan

crédito das imagens: shutterstock.com