[ENTREVISTA] FINANÇAS PESSOAIS PARA O CAMINHONEIRO AUTÔNOMO, O QUE É MAIS IMPORTANTE CONSIDERAR?

Programa Na Estrada - Rádio Bandeirantes

Mauro Calil – Planejador e Educador Financeiro – Banco Ourinvest

Ana Nery: Tudo bem Professor? Muito bom dia,

Mauro Calil: Bom dia, bom dia a todos, é um grande prazer falar com vocês.

Ana Nery: Prazer é nosso. Professor vamos começar pela compra de um caminhão, quando o caminhoneiro decide comprar um caminhão o que ele deve levar em conta?

Mauro Calil: Bom, muitas coisas tá, primeiro ele tem, o caminhoneiro na verdade é um pequeno empreendedor, pode ser um empreendedorismo de um homem só mais um caminhão, então o caminhão é um equipamento para o negócio dele.

Primeiro você precisa verificar que tipo de mercado você vai atender, vamos colocar de maneira bem simples, vamos colocar assim, quais as distâncias que você vai percorrer o tipo de carga que você vai levar etc.

Então o que acontece, se você está fazendo entregas urbanas você irá comprar um tipo de caminhão, se você está fazendo entregas interestaduais será outro tipo de caminhão e se você vai percorrer distâncias muito longas é mais outro tipo de caminhão.

Feito isso, definido isso, vamos dizer que você ainda não tenha o caminhão, irá comprar o seu primeiro caminhão, neste caso vai mais ou menos naquilo que você vê que vai a prática do mercado, em questão à marca, modelo, potência, etc.

Porque em grandes empresas, pessoal que está bastante tempo no ramo, tem preferência por uma marca como modelo, é provável que aquele seja o melhor praquele tipo de tarefa, feito isso agora você vai realmente efetivar a compra.

No caso da compra, financeiramente falando, a gente tem que considerar o seguinte, tente dar a maior parcela possível de entrada, porque ai você diminui o custo financeiro dessa aquisição, porque quanto mais você financiar o seu caminhão mais juros você vai pagar, então se o caminhão custa lá R$ 300 mil e você der R$ 100 mil de entrada, você vai financiar R$ 200 mil e terá juros sobre R$200 mil, ao contrário de você der R$ 200 mil de entrada você estará financiando R$ 100 mil e terá juros somente sobre R$ 100 mil, seria metade dos juros que você está pagando.

Ana Nery: Então é importante que a entrada seja com o maior valor possível né?

Mauro Calil: Sim.

Finanças pessoais

Ana Nery: Agora, o caminhão a gente sabe que é um investimento, como você disse professor, o caminhoneiro é um empreendedor e o caminhão é o principal instrumento de trabalho dele, e como ele deve fazer para que o caminhão não se deteriore como deve ser feita a manutenção, digo nas questões de finanças pessoais, a manutenção é sempre importante ser feita, mesmo que gastando um pouquinho mais para depois não ter um problema maior e gastar mais ainda?

Mauro Calil: Essa colocação é bastante importante, o caminhão é o negócio dele, é da onde ele tira o sustento, é da onde ele paga a casa própria, o carro de passeio, a escola das crianças, enfim, coloca comida na mesa, então ele tem que cuidar bem desse patrimônio.

Quando ele vai andar por estradas sabidamente esburacadas, ele tem que cobrar um frete mais alto, ele tem que fazer seguro, ele tem que preservar, e isso tudo ser colocado diante, de uma forma ou de outra, no preço do frete que ele cobra.

Nós vemos aí muitas reportagens, inclusive no Grupo Band sempre mostra que, existem caminhoneiros que aceitam qualquer frete, qualquer preço de frete só pra não voltar vazio para casa ou fazer uma viagem com algum lucro, às vezes é melhor não fazer essa viagem, às vezes é melhor voltar vazio, porque você vai gastar menos combustível, vai forçar menos o seu caminhão.

Portanto vai ter menos manutenção do que fazer essa viagem carregado com um frete muito baixo, e não compensa, parece que está entrando dinheiro, mas na verdade está dando prejuízo, essa é uma conta muito difícil de enxergar, porque como dá impressão de que:

Ah, estou voltando vazio e não estou ganhando nada, eu to voltando carregado, é melhor eu voltar carregado e ganhar alguma coisa do que não ganhar nada.

Só que esse voltar carregado aumenta o custo de manutenção, então se o frete não for compensador não vale à pena, vale à pena voltar vazio, porque só gastaria o combustível.

Ana Nery: A gente fala bastante professor sobre o seguro, que é um gasto mensal que o caminhoneiro tem que ter, e tem que incluir no orçamento (finanças pessoais) dele, o financiamento também, que falamos há pouco, como ele deve fazer o cálculo do que ele ganha para poder colocar ali:

  • O valor do seguro;
  • O valor do financiamento;
  • Quando a gente fala, por exemplo, em algum tipo de crédito, para qualquer outra compra enfim, a gente fala:

Olha você não pode, por exemplo, pegar um empréstimo que ultrapasse 20% da sua renda.

Na questão do financiamento, do seguro, existe uma porcentagem ali que seja adequada para que ele consiga pagar essas contas relacionadas ao caminhão e também ter ali o dinheiro do dia a dia dele?

Mauro Calil: O percentual na verdade é uma consequência, não é o início do processo.

O que ele deve colocar nesse cálculo?

Esse cálculo é feito de outra forma, mas não é tão direta como a compra e venda de uma mercadoria do tipo:

Ah, compro uma garrafinha de água por R$ 0,50 e vendo por R$ 1,00 e eu estou ganhando 100%.

No caso do caminhão, como é um serviço, não é bem assim e é um pouco mais complexo.

Em primeiro lugar ele tem que colocar o preço do caminhão dividido pelos anos que o caminhão irá durar.

Vamos dizer que grosso modo aquele caminhão R$240 mil, vou até puxar uma calculadora para me ajudar nessas contas, R$240 mil vamos dizer que ele use 12 anos, que é bastante tempo, divididos por 12, seriam R$20 mil por ano de custo de caminhão, que dividimos por 12 novamente daria mais ou menos R$1.600,00 por mês só de caminhão.

Para ele poder repor esse patrimônio em 12 anos de uso, bom ai o que ele vai fazer?

Com um pouquinho de história se ele já é um caminhoneiro experiente, vai pegar as notas fiscais de quanto ele está gastando com manutenção, do caminhão, com combustível, com seguro, etc., durante um ano, ok?

Ana Nery: Ok.

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Mauro Calil: Soma isso tudo durante um ano e aí ele vai verificar quantos quilômetros ele rodou em um ano, isso é importante, quer dizer:

  • No dia primeiro de janeiro de 2015, por exemplo, ele estava lá com o odômetro dele com 140 mil quilômetros e;
  • No dia 31/12/2015 ele estava no odômetro com 240 mil quilômetros significa que;
  • Ele andou 100 mil quilômetros no ano de 2015.

Ele pega todos aqueles custos unidos a esse custo de reposição do caminhão soma tudo e divide pelos 100 mil quilômetros, aí ele vai ter uma conta de quanto custa um quilometro pra ele rodado.

Esse é o custo mínimo que ele tem que ter, é o frete mínimo, então quando ele for calcular um frete de 100 km, é aquele preço vezes cem no mínimo, se ele tiver isso ele vai empatar agora o que ele coloca para atualizar essa conta?

Ah, espera aí, mas eu gastei tanto no consumo de combustível o ano passado, só que o diesel agora está 20% mais caro – então ele coloca mais 20% naquela conta para atualizar a conta do diesel.

Ah, e a manutenção também, está me dando mais manutenção – e assim por diante, então ele vai atualizando pouco a pouco, anualizando essa conta e ele sabe qual o mínimo que tem que gastar.

Chega uma hora que o que acontece, ele fala – eu estou pagando para trabalhar – qual é a saída?

Provavelmente vai ser trocar de equipamento, porque sabidamente os equipamentos mais antigos, vamos dizer assim, da mais manutenção, gasta mais diesel, etc.

Então nessa hora ele vai lá e dá de entrada o caminhão dele e pega um novo que vai sair mais barato, em paralelo ele busca alternativas pra fretes melhores, essa parte não é muito fácil de fazer.

Ana Nery: Em relação a poupar (finanças pessoais) dinheiro, a gente sabe que é muito importante termos reservas, ainda mais em momentos de crise como estamos passando agora, qual a sua orientação para o caminhoneiro, que tipo de poupança, de investimento é melhor que ele faça hoje em dia, qual o valor aceitável para que se faça uma poupança, para que se guarde um dinheiro, uma reserva?

Mauro Calil: Acho que tem duas formas, duas preocupações ou dois objetivos que todo caminhoneiro deve ter para poupar.

O primeiro é para renovação do próprio caminhão e o segundo e para sua aposentadoria e garantia da sua família.

Na renovação do caminhão ele pode usar instrumentos de longo prazo, ainda que conservadores, mas ele pode usar títulos como CDB, LCI, LCA, são as letras de crédito imobiliário, letras de crédito agronegócio, com prazo de três, quatro, cinco anos sem problema nenhum.

Para sua família e para uso de aposentadoria ele pode usar o titulo do tesouro direto e nesse momento os títulos que eu recomendo são os títulos do tesouro atrelados à taxa Selic, e ele pode fazer aportes mensais pequenos do tipo, a partir de R$30,00 é possível, mas vamos dizer que ele tira de cada frete 1, 2, 3% ou 5% e faz o seu aportezinho.

Pode ser uma vez por mês, pode ser a cada viagem, pode ser a cada recebimento que ele tem, enfim, como ele quiser, o importante é essa disciplina.

O titulo do tesouro direto permite a ele um resgate imediato em caso de necessidade, enquanto que os CDB, LCI, LCA, tem alguns que tem liquidez imediata outros não, aí o melhor é conversar com o gerente do banco para ter um planejamento mínimo para trocar o caminhão.

Ana Nery: A aposentadoria, pra gente finalizar professor, previdência privada, pagar o INSS, praqueles principalmente que são autônomos, o que eles devem fazer?

Mauro Calil: Olha acho que pagar o INSS é algo interessante, geralmente os caminhoneiros ganham mais, eles têm uma renda maior do que o teto do INSS, que hoje é de cinco cento e noventa, então ele pode fazer um planejamento juntamente com o contador e ir pagando o mínimo para dar a contribuição de trinta e cinco anos, até que chegue lá no final e ele pague um pouco mais para receber um pouco mais.

Em paralelo ele pode ter outros dois caminhos, esse que falei de você poder comprar, por exemplo, títulos do tesouro, que não é o único investimento, ou um plano de previdência, eu prefiro a compra direta de títulos do tesouro porque você não paga a taxa de administração.

Você não paga a taxa de carregamento e você pode ter uma rentabilidade maior no final, e evite a todo custo à caderneta de poupança, porque a caderneta de poupança se quer cobre a inflação.

Ana Nery: está certo então, professor Mauro Calil, planejador e educador financeiro, orientando nosso caminhoneiro para uma melhor vida nas finanças pessoais.

Professor, muito obrigada pela atenção com a nossa Rádio Bandeirantes um bom dia para o senhor.

Mauro Calil: Eu que agradeço, e agradeço a todos os caminhoneiros que também transportam tudo nesse Brasil.

Ana Nery: É verdade (risos). A gente brinca aqui no programa que eles levam literalmente o Brasil nas costas.

Mauro Calil: É verdade, isso é verdade mesmo, é um pessoal por quem eu tenho muito respeito.

Ana Nery: Obrigada professor.

Mauro Calil: Um abraço e até logo.

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O programa Na Estrada, transmitido pela Rádio Bandeirantes e apresentado pela Ana Nery, vai ao ar às 5h da manhã, de 2ª a 6ª feira, em São Paulo, pelas rádios AM 840 e FM 90,9.

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