(07/17) CUSTO DIRETO EM TRANSPORTES: 7 FATOS SUPERINTERESSANTES PARA TE ABRIR A CABEÇA, E COMEÇAR A ECONOMIZAR!

Constellation

O custo direto de cada caminhão deveria estar tão claro na cabeça do seu dono quanto a água que bebemos todos os dias.

É tendo uma resposta de pronto sobre o custo direto, toda vez que precisar fazer o cálculo de fretes, que você estará apto para decidir se determinado frete vale a pena ou não.

Mesmo não sendo o custo direto o único item da sua planilha de cálculo de fretes, ele é sem dúvida o mais importante.

No entanto, muitos caminhoneiros autônomos e até donos de transportadoras ignoram alguns fatos importantes que cercam este custo.

Seja por preguiça, falta de habilidade para analisar os dados ou até por desconhecimento, quem não entende com precisão quais são os custos diretos e como calculá-los, pode estar tendo prejuízo sem saber os motivos.

Agora, tanto você quanto eu, sabemos que está muito difícil conseguir o preço justo pelo frete, e talvez por isso você acabe achando que saber no detalhe quais são os custos diretos do seu caminhão ou frota pode ser ainda pior.

Pois se você pensa assim, saiba que você está redondamente enganado.

Não se gerencia o que não se mede.

Chegou a hora de você saber tudo o que envolve o custo direto, e além disso conhecer os 7 fatos que irão abrir a sua cabeça, e certamente irão te ajudar a economizar.

Continue lendo este artigo para saber mais sobre:

  • Do que exatamente é composto o custo direto;
  • #1: Impacto do tempo ocioso no custo direto;
  • #2: Variação do custo conforme o ramo de atuação;
  • #3: O seguro do casco e o impacto no custo direto;
  • #4: Por que você deve usar a telemetria;
  • #5: Frete de retorno na razão do tempo x km;
  • #6: Os impactos da lei do caminhoneiro no custo direto;
  • #7: Como você pode reduzir o seu custo direto.

Parece interessante? Então compartilhe esse artigo com seus amigos para que todos possam aprender sobre o custo direto, e consigam o preço justo do frete.

COMO É COMPOSTO O CUSTO DIRETO

Como é composto o custo direto

Dentro do custo direto está, como o próprio nome sugere, todos os custos ligados diretamente ao veículo.

Ou seja, se você tem um caminhão ou frota, que roda constantemente, com certeza você tem todos estes custos.

Como você já deve ter percebido, esta série sobre cálculo de fretes vem numa forma sequencial, e por isso eu coloquei intencionalmente, antes deste artigo, outros dois artigos falando sobre todo tipo de custo direto.

Se você ainda não leu os artigos anteriores eu sugiro que você faça isso agora, pois eles te darão uma noção mais precisa de cada custo.

De qualquer forma, vou passar aqui uma breve descrição destes custos e como eles se dividem.

Basicamente, os custos diretos podem ser classificados por uma função de:

  • Tempo (meses, dias, horas);
  • Km rodado (impacto da distância).

Por isso, eles são divididos em:

Custos Fixos (tempo)

Todos os meses você precisará pagar por estes custos, independente do veículo rodar ou não.

São classificados como custos fixos:

  • Depreciação de veículos;
  • Remuneração de Capital;
  • Licenciamento, IPVA e Seguro Obrigatório;
  • Seguro do Casco do Veículo.

Custos Variáveis (distância)

Os custos estão diretamente relacionados ao quanto o veículo rodou.

  • Combustível;
  • Arla 32;
  • Pneus;
  • Manutenção do veículo;
  • Lubrificantes;
  • Lavagens e graxas.

Vale lembrar que os custos diretos são os mesmos tanto para caminhoneiros autônomos quanto empresas de transporte, pois estão relacionados ao veículo e não à forma de gerenciar o negócio.

Agora que você já sabe do que é composto o custo direto ficará fácil para você calcular estes custos sempre que houver um novo frete.

Pegando o custo diário de cada veículo seu, que você aprendeu no artigo sobre custo fixo, e somando com o custo por km rodado, que você aprendeu no artigo sobre custo variável, você terá exatamente o seu custo para cada viagem.

É importante frisar que estes não são os únicos custos que você tem com o seu negócio, são apenas os custos relacionados diretamente com o veículo.

Mais à frente na série eu irei falar sobre os demais custos.

Vamos então, aos 7 fatos superinteressantes sobre custos diretos que vão te ajudar a economizar.

#1: IMPACTO DO TEMPO OCIOSO NO CUSTO DIRETO

Impacto do tempo ocioso no custo direto

Com certeza você já ouviu esta expressão:

Tempo é dinheiro!

E quando você sabe na ponta do lápis qual é o custo fixo por dia do seu veículo ou sua frota, fica muito claro quanto você pode perder se seu carro não rodar.

Hoje em dia, principalmente com a crise econômica, é muito comum encontrar transportadores que ficam dias parados, ou porque realmente não conseguiram nenhum frete, ou porque não aceitaram determinado valor.

Se você sabe exatamente qual será seu prejuízo ficando parado, fica muito mais fácil tomar a decisão por pegar um frete ou não, mesmo que ele não represente o lucro que você esperava.

O tempo ocioso da sua frota pode te causar ainda mais prejuízo do que rodar com frete de baixo valor.

#2: VARIAÇÃO DO CUSTO CONFORME O RAMO DE ATUAÇÃO

Variação do custo conforme o ramo de atuação

O Brasil é um país ultra dependente do transporte rodoviário, e é através dos nossos caminhões que mais da metade da produção é transportada.

Porém, cada carga tem suas peculiaridades, e isto impacta no custo direto.

Essas variações podem ser, desde a distância, que não pode ser muito grande dependendo do tipo de material, até as condições físicas do semirreboque após uma entrega.

Dependendo da carga, existe a necessidade de lavagem, limpeza e até mesmo conservação da carroceria para que tenha condições da próxima utilização.

Se for em baú deve-se considerar a possibilidade de estrago e impregnação de odores que com o tempo elevam a necessidade de lavagens especiais.

Isso traz um aumento no custo direto, e precisa ser repassado no preço do frete.

Por outro lado, o ramo de cargas expressas por exemplo, pode ter um custo direto percentual muito menor, pois:

  • Quando trabalha com o fator tempo (urgência) do cliente, e não do transportador, o preço é mais alto;
  • Porém, é preciso ter carros sempre disponíveis, o que pode aumentar a ociosidade e o custo.

#3: O SEGURO DO CASCO E O IMPACTO NO CUSTO DIRETO

O seguro do casco e o impacto no custo direto

Você faz seguro do seu caminhão?

Se você não faz saiba que isso é o que acontece com a maioria dos caminhões no Brasil.

Porém, é preciso entender se deixar de fazer o seguro do veículo está correto ou não. E a resposta para isso depende de um cálculo.

As grandes transportadoras certamente não fazem seguro pois entendem que, mesmo se um veículo for roubado ou avariado, o custo de reposição deste veículo ainda será menor que a fatura da seguradora.

Ou seja, tudo é uma relação de como você pode gastar menos.

Agora, na hipótese de um caminhoneiro autônomo ou pequena transportadora, é preciso tomar muito cuidado, pois é provável que o risco de perder o seu patrimônio seja muito grande.

Mesmo que você não queira pagar o seguro do seu veículo ou frota, você não pode deixar de embutir este custo no cálculo de fretes, pois na pior das hipóteses você deveria fazer uma poupança e guardar o dinheiro ao invés de pagar a seguradora.

É importante frisar que estamos falando aqui do seguro do casco, e não do seguro da carga.

#4: POR QUE VOCÊ DEVE USAR A TELEMETRIA

Por que você deve usar a telemetria

Se o assunto são os custos diretos, e você precisa fazer o possível para reduzi-los, então você precisa usar a telemetria.

A telemetria é uma tecnologia de ponta, que se baseia na troca de informações por meio de tecnologias sem fio, os dados enviados e recebidos são relacionados à mensuração dos processos dos equipamentos, como o seu caminhão.

Como cada litro de diesel economizado é importante, assim como o aumento da vida útil das peças, você precisa estar ligado nestas novas tecnologias para buscar o menor custo possível.

Através da telemetria, é possível analisar e corrigir hábitos dos motoristas, identificar situações que podem prejudicar o veículo, a carga e o condutor e ainda é capaz de otimizar o desempenho do caminhão e economizar custos.

Com a telemetria é possível obter informações sobre:

  • Distância percorrida;
  • Velocidade mínima e máxima (em pista seca ou molhada);
  • Tempo de pé na embreagem;
  • Freadas;
  • Acelerações bruscas;
  • Tempo de uso do veículo parado;
  • Nível e consumo de combustível;
  • Temperatura do motor;
  • Tempo de carreta engatada e desengatada;
  • Tensão de bateria.

Por meio da telemetria é possível gerar relatórios de uso do veículo a partir da identificação do motorista e da sua jornada de trabalho.

Existem diversas empresas que oferecem este serviço, e cabe a você pesquisar pelo melhor custo benefício.

Até mesmo o tacógrafo digital pode oferecer tal tecnologia, facilitando a instalação em um único equipamento.

#5: FRETE DE RETORNO NA RAZÃO DO TEMPO vs KM

Frete de retorno na razão do tempo x km

Retornar vazio ou esperar por uma carga?

Esse é o dilema de muitas empresas e caminhoneiros autônomos, e talvez você passe por isso sempre, não é mesmo?

No ano passado eu escrevi um artigo sobre frete de retorno, e recebi uma enxurrada de reclamações de leitores, com a alegação de que não existe retorno, que frete é frete e ponto final.

O problema é que o mercado não vê assim, e quem dita as regras é o mercado, e cabe a nós entendê-lo e tirar o máximo de proveito com as lições aprendidas.

Ao invés de reclamarmos, o correto na minha visão é entender caso a caso, e dependendo da situação, voltar vazio mesmo.

Agora que você já pode calcular qual o custo por dia do seu caminhão parado, é possível entender claramente as vantagens ou desvantagens e deixar um caminhão parado por mais de 2 dias esperando carga.

Se a distância para sua casa ou empresa é longa, com mais de 2 mil km por exemplo, é bem provável que você queira esperar por 2 ou 3 dias para conseguir uma carga.

Agora, em casos de distâncias curtas, provavelmente o custo de ficar parado esperando é muito maior do que voltar para casa e conseguir uma nova carga.

#6: OS IMPACTOS DA LEI DO CAMINHONEIRO NO CUSTO DIRETO

Os impactos da lei do caminhoneiro no custo direto

A Lei Nº 13.103/15, também conhecida como a “lei dos caminhoneiros” trouxe uma série de novas regulamentações, que sem dúvida trazem impactos no custo direto.

A questão é que estes impactos não são apenas negativos, existem também benefícios e cabe a você se orientar para poder tirar proveito disso.

Eu separei aqui os pontos da lei, de uma forma que você entenda onde o seu custo direto pode subir ou diminuir.

Ajudam a reduzir o custo

  • Pedágio: Os veículos de transporte de cargas que circularem vazios não pagarão taxas de pedágio sobre os eixos que mantiverem suspensos;
  • Perdão de multas: A lei estabelece perdão das multas por excesso de peso dos caminhões recebidas nos últimos dois anos anteriores à publicação (2015);
  • Aumento de peso: a tolerância máxima de 5% sobre os limites de peso bruto total; e de 10% sobre os limites de peso bruto transmitido por eixo de veículos à superfície das vias públicas;
  • Exames toxicológicos: a exigência de exames toxicológicos evita o uso de substâncias proibidas, que pode reduzir o risco de acidentes.

Aumentam o custo

  • Jornada e intervalo: apesar do foco da lei na redução de acidentes o custo efetivo com mão de obra aumenta;
  • Tempo de espera: outro item que aumenta o custo das empresas, e que por sua vez precisam repassar para o embarcador.

#7: COMO VOCÊ PODE REDUZIR O SEU CUSTO DIRETO

Como você pode reduzir o seu custo direto

O grande desafio de todo gestor de frota é conseguir fazer mais com menos, ou seja, extrair o máximo de produtividade do caminhão gastando o mínimo possível.

Sem dúvida isso não é algo fácil, mas existem alguns caminhos e sugestões que quero passar aqui para você.

Você já parou para pensar qual é a grande diferença entre:

  • Uma máquina que custa R$ 300 mil e está instalada dentro de uma indústria;
  • Um Constellation 19.360, zero km + semirreboque?

A diferença é uma só, o motorista.

O fato de um bem tão caro estar muitas vezes a milhares de km de distância da base, e sob os cuidados de uma única pessoa, torna essa pessoa imprescindível para o sucesso dessa operação.

E é uma pena que muitos empresários não vejam como deveria a importância desse profissional.

Roteiros de entregas mal planejados, e serviços incompletos podem gerar multas pesadas, ociosidade do veículo e reclamações de clientes.

Tudo isso pode resultar em aumento do custo e perda de produtividade do motorista.

Foi pensando nisso que preparei 3 tópicos que julgo fundamentais para tornar os motoristas mais produtivos.

#1. Itens diários de controle

Como escrevi no início deste artigo, não se gerencia o que não se mede, e por isso você precisa controlar o trabalho da sua equipe.

Abaixo coloco uma lista de controles que podem ser aplicados no seu negócio:

  • Histórico de viagens;
  • Rotas percorridas;
  • Velocidade e quilometragem rodada;
  • Horários de saídas e chegadas;
  • Tempo de paradas;
  • Tempo de movimentação;
  • Documentação do motorista;
  • Registros de sinistros e atrasos com os respectivos motivos;
  • Multas;
  • Manutenções em viagens que teve que realizar;
  • Manutenções realizadas nos veículos que ele utiliza;
  • Tempo de empresa e experiência na área;
  • Treinamentos já realizados.

Planilha de Cálculo de Frete Rodoviário

#2. Treinamentos contínuos

Um motorista bem treinado pode:

  • Economizar até 20% de combustível;
  • Reduzir custos com manutenção;
  • Reduzir os custos com multas;
  • Evitar atrasos em entregas;
  • Ter maior eficiência nas operações;
  • Aumentar o tempo de vida útil das peças do veículo;
  • Garantir maior segurança nas estradas.

Veja aqui algumas sugestões de treinamentos que podem ser aplicados:

  • Como economizar combustível;
  • A importância da manutenção preventiva;
  • Manias e vícios que fazem mal ao veículo;
  • Como evitar atrasos das entregas;
  • Aprenda a aumentar a vida útil das peças do veículo;
  • Como lidar com imprevistos na estrada;
  • Dicas de segurança na estrada.

#3. Motivação da equipe

Você pode fazer controles, dar todo tipo de treinamento para um funcionário, mas nada terá adiantado se ele não estiver motivado na empresa.

Mesmo que os treinamentos ajudem na motivação, é preciso fazer mais.

Você precisa recompensar aqueles que se destacaram, como uma forma de reconhecer o esforço deles.

Faça premiações como:

  • O melhor motorista do mês;
  • O motorista mais econômico;
  • O motorista com menos multas;
  • O motorista mais cuidadoso.

E você perceberá que a equipe estará mais motivada, é um ciclo em que todos ganham.

CONCLUSÃO: CUSTO DIRETO EM TRANSPORTES

Conclusão: custo direto em transportes

Saber com detalhes tudo sobre custo direto é um primeiro passo se você quer realmente ter sucesso com o transporte rodoviário de cargas.

Sem isto, nenhuma das suas estratégias de ter fretes com lucro vai funcionar.

Você precisa realmente se dedicar a estes custos, aprender cada um deles e perseguir incansavelmente a redução.

Custos são como unhas, e devem ser sempre cortados

Portanto, preste atenção nestes 7 fatos que abordamos, sempre que estiver fazendo a gestão da sua frota:

1. Reduza sempre que possível o impacto do tempo ocioso;
2. Olhe para seu ramo de atuação, e procure oportunidades de ramos mais rentáveis;
3. Considere um valor para o seguro do casco mesmo que você não pague uma seguradora;
4. Use a telemetria;
5. Busque entender se vale a pena o frete de retorno ou não;
6. Aplique os benefícios da lei do caminhoneiro;
7. Procure valorizar o motorista, pois ele será o seu maior aliado na redução de custos.

Série: Cálculo de fretes

Já leu os demais artigos da série? Veja abaixo a lista de artigos, e não perca a oportunidade de se aprofundar hoje mesmo no assunto.

  • [01/17] – Como fazer o cálculo de fretes sem perder dinheiro.
  • [02/17] – Por que você pode perder dinheiro se não calcular a cubagem?
  • [03/17] – 7 motivos para você considerar a depreciação no seu cálculo de fretes.
  • [04/17] – Por que o custo de oportunidade não pode ficar de fora da sua planilha?
  • [05/17] – Como calcular seu custo fixo por dia?
  • [06/17] – Quais as vantagens de saber o custo variável por km rodado?
  • [07/17] – 7 fatos que talvez você não saiba sobre custo direto.
  • [08/17] – Por que normalmente os autônomos se esquecem do custo indireto?
  • [09/17] – Qual a maneira correta de calcular o Ad Valorem?
  • [10/17] – Qual o percentual correto deve ser utilizado no GRIS?
  • [11/17] – Tabela completa com todas as generalidades cobradas no mercado.
  • [12/17] – Como fazer o cálculo do pedágio usando mais de um formato?
  • [13/17] – A carga tributária que você paga atualmente está correta?
  • [14/17] – Qual margem de lucro devo usar no mercado de transportes?
  • [15/17] – Como colocar corretamente os ingredientes para a formação do preço do frete?
  • [16/17] – Qual é o ponto de equilíbrio de uma viagem?
  • [17/17] – Planilha de frete, que automatiza o processo de cálculo de fretes.

Gostou das dicas? Conhece alguma outra estratégia infalível na redução do custo direto? Se sim, deixe um comentário aqui embaixo. Vamos adorar saber a sua opinião.

Forte abraço e até o próximo artigo!
Ed Trevisan

Fontes de consulta:

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